16 de junho de 2013

NÃO HÁ FEIRA, MAS HÁ ESCRITORES

Num mundo (leia-se país) onde anda tudo do avesso, não haver Feira do Livro no Porto faz todo o sentido. E a culpa disto é da chuva que cá se instalou e do sol que cá não se quer instalar. 
A economia em Portugal não cresceu por causa da chuva. O investimento caiu por causa da chuva. Está tudo tolo devido a tanta água. 
A decisão de não haver Feira do Livro no Porto, provavelmente, também se deve à chuva. Pois, se todos os anos, no período em que decorre a Feira, chove, faz frio e as orvalhadas de S. João são regra, para quê tirar as pessoas de casa, sujeitas a ficarem doentes? 
Quando a Feira do Livro decorria no Palácio de Cristal, vá lá, entendia-se que se realizasse, sempre era um espaço fechado, as pessoas não se molhavam. Mas, na Avenida dos Aliados, não é assim. Os leitores molham-se, os autores que lá estão a dar autógrafos apanham resfriados, os editores e livreiros, de plantão todo o dia e noite, correm o risco de apanhar pneumonias… E isto não é nada bom para o país. Os doentes não produzem e aumentam a despesa pública! 
Portanto, está explicado. 
Feira do Livro para quê? As pessoas que vão à Feira do Livro compram livros e quem compra livros tem o hábito de os ler (com chuva ou sem ela!!!). Quem lê aprende a pensar e a criticar, a contestar e a incomodar, mesmo com chuva! 
Numa altura em que o país regride a olhos vistos, parece que vai voltar ao tempo em que pensar e incomodar é crime. 
E o silêncio instalou-se no Porto. Um silêncio que nem as marchas populares conseguem contrariar porque morreu um evento com tantos anos de vida. 
Gosto do Porto. Não gostei que o Porto tivesse matado a Feira do Livro.
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