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28 de agosto de 2012

PRAIA DA FALÉSIA, VILAMOURA - IMPRESSÕES


Quem ruma a sul, mais concretamente à praia da falésia em Vilamoura, com intenção de passar férias isoladas e silenciosas, desengane-se. Mas a confusão é compensada pela enorme biodiversidade humana. 
Gosto de me sentar na areia ou numa esplanada, frente ao mar, e observar. Além do colorido de guarda-sóis, toalhas, cestos, chapéus e biquínis que transformam a praia em múltiplos arco-íris (gosto do branco, na praia, e do amarelo, e do laranja, e do rosa fúcsia), a variedade de pessoas fascina-me. Pessoas altas e baixas, pessoas magras e gordas; corpos esbeltos e bem torneados, corpos atacados pela celulite e por gorduras indesejadas; peles brancas e peles bronzeadas; peles lisas e peles enrugadas, vincadas pelo tempo; peles secas, peles brilhantes, peles pintadas com artísticas tatuagens; cabelos curtos, cabelos compridos que se estendem costas abaixo, cabelos apanhados em longos rabos de cavalo, ausência total de cabelo em cabeças carecas. Velhos, novos, crianças e jovens. E bebés. Bebés na praia, a qualquer hora do dia. E pessoas que chegam depois do meio-dia. E pessoas que passam o dia inteiro na praia e abrem grandes lancheiras donde saem sandes, bebidas frescas e fruta. E batatas fritas, claro!
E a variedade de línguas estrangeiras misturadas promiscuamente com o português (nos seus variados sotaques e regionalismos) encanta-me. “Queres pom?” – é a pronúncia do norte no seu melhor! 
Ouve-se francês (imenso), inglês (bastante), espanhol (muito), alemão (um pouco) apesar de o jornal Expresso desta semana (18 de agosto) trazer um artigo intitulado “Turistas alemães salvam ano no Algarve” (parece que a srª Merquel os enviou para aqui, “que os pobres coitados dos portugueses estão a precisar do nosso dinheiro!”). 
Ouvem-se os pregões dos vendedores que inundam a praia e a transformam num grande centro comercial, alguns até com Multibanco. 
Passam os exuberantes brasileiros vendedores da bolinha de Berlim e da bolacha americana. 
- Olhá bolinha, chegô! Tá chamando, eu vô!
- Chora, nenem chora, que a mamãe te dá a bola! 
- Comê, comê, para crescê! 
Passam outros exóticos brasileiros vendedores de biquínis. 
- Olhó biquíni brasilero originau! 
Passam os tímidos vendedores portugueses. 
- Água, cerveja, coca-cola. 
- Bolacha americana e pastel de amêndoas! 
Passam os discretos e calados indianos vendedores de pratas e vestidos de algodão e os também discretos marroquinos carregados de pilhas de toalhas de praia, carteiras e óculos de sol. 
E o sol vai queimando. E a água fria refresca todos estes corpos, toda esta gente que veio para sul esquecer a crise enterrando-a na areia ou afogando-a no mar.


4 de outubro de 2011

AS MINHAS VIAGENS

Agosto 2011






É a magia… *
… dos dias de calor mesmo quando chove;
…. da alegria e do ritmo nos corpos de chocolate;
… da autenticidade de um povo hospitaleiro e genuíno, apesar da vida agreste;
…. da adrenalina que sobe à medida que as moto4 agridem a areia e avassalam as dunas;
… de uma paisagem lunar quando, do alto das dunas, se avistam quilómetros de praia branca;
… do marulhar de um mar que não se quer cansar e traz ondas folionas;
… da nuvem teimosa que não foi convidada mas vem e molha quem brinca na areia;
… dos ventos alísios, brincalhões.
… do sol que se deita e convida a um mergulho nas águas tépidas do mar que o acolhe e se torna dourado;
… do dia que acaba e da noite que vem vestida de festa;
… do jantar engolido porque a festa já está à espera;
… dos paladares da cachupa e da lagosta;
… das noites animadas, aquecidas pelo grogue e pela música que se começa a ouvir mal chegam as primeiras sombras;
- das músicas de ritmos diferentes: lento e quente das mornas; enérgico do kuduro; sensual do funaná;
… dos corpos molhados, moldados pelas t-shirts suadas;
… das estrelas que dão brilho à noite escura;
… da morabeza distribuída gratuitamente;
… da Boa Vista, ilha num arquipélago onde a pressa não entra. Porque, em Cabo Verde, no stress!



*Texto publicado na revista Fugas, suplemento do jornal Público, no dia 29 de outubro de 2011.

14 de agosto de 2011

AS MINHAS VIAGENS

Agosto 2006







Sorria, você está na Bahia*



Depois de onze meses de prisão a planear a fuga, o grande dia da evasão chegou e todos os planos se concretizaram.
O avião aterra, sem pressas nem solavancos. À nossa espera, para nos receber e acolher, encontra-se a liberdade. Oito dias, no convívio da tranquilidade e da paz que o espírito tanto anseia. Sem horas nem compromissos, sem a prisão do telemóvel ou do computador. Só com máquina fotográfica para ajudar os olhos a reter tanta beleza.
Sob o céu azul, estendem-se quilómetros de areia branca, abraçada pelo mar e por frondosa mata, que nos conduzem à pequena e formosa vila piscatória cujos restaurantes, lojas e feiras de artesanato maravilham os turistas com o seu toque de rusticidade sofisticada. Aqui, as tartarugas marinhas vêm desovar e são protegidas dos predadores pelo Projeto Tamar. Biodiversidade, beleza natural e encanto moram na Praia do Forte.
O mar, que acorda nervoso, vai relaxando ao longo do dia. Ao final da tarde, completamente calmo, alonga-se, lânguido, e mostra-nos todo o seu esplendor. Peixes e corais convidam a colocar a máscara e a fazer snorkeling.
Este é o local certo para fugir ao ruído e à confusão. Onde silêncio, calma e paz rimam com calor, boa disposição e festa. E, para alimentar a festa, apenas a 60Km, a cidade de S. Salvador da Bahia, de flagrantes contrastes e cheia de História, espera por nós e envolve-nos. Logo nos deixamos seduzir pelo ritmo dos berimbaus e pela alegria da capoeira, pelo odor e sabor da fruta, pela cor das baianas e das paletas dos pintores, pela música saída dos sinos das inúmeras igrejas. Tudo tão pitoresco!
- Sorria, você está na Bahia – dizem-nos.
E é impossível não sorrir, não dançar, não conversar, não beber uma agradável caipirinha, não saborear um delicioso sorvete de frutas exóticas, não encher a alma com tanto que este cantinho do paraíso tem para oferecer.
E é com tristeza que a viagem termina e se regressa com lágrimas nos olhos a dizerem saudade e com um sorriso nos lábios a dizer voltarei.
Há quem diga que somos aquilo que lemos e o que vemos. Acrescento: somos viagens.






*Texto publicado na revista Fugas, suplemento do jornal Público, no dia 10 de setembro de 2011, e premiado com um livro da coleção "Rotas e Percursos".

10 de agosto de 2011

AS MINHAS VIAGENS

Viagem a Cuba, em 2007



Varadero: onde o mar nunca se zanga com a areia e, num vai e vem indolente, convida a conhecer os seus segredos. (a minha participação na Fugas, Público)






Pôr do sol em Varadero