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8 de agosto de 2016

CLUBE DE LEITURA DE JULHO


A última sessão do Clube de Leitura, no dia 22 de julho, iniciou com a leitura do meu conto "Palavras à solta". Este pequeno conto, onde a pequena Alice descobriu a magia das palavras numa ida com a mãe a uma livraria, está inserido no livro Papá, só mais uma... e resulta dos contos vencedores do concurso "Papá, só mais uma... 2015", com seis autores.
De seguida, passou-se discussão sobre a obra Vamos comprar um poeta de Afonso Cruz. O livro que aparentemente  parece ser um conto da literatura infantojuvenil tem uma mensagem bastante mais profunda. Retrata a atualidade. A contabilidade com que se gere a vida. A quantificação de tudo, até dos sentimentos. E a urgente necessidade de combater essa desumanização com a poesia. "A poesia, diz-me ele, transfigura o universo e faz emergir a realidade descrita com absoluta precisão da ambiguidade. Nunca li um bom verso que não voasse da páginas em que foi escrito. A poesia é um dedo espetado na realidade!" 

30 de outubro de 2015

TERCEIRO ANIVERSÁRIO DO CLUBE DE LEITURA

Frio lá fora. Chove
Mas não neste clube 
Os livros aquecem.

A sessão de outubro do Clube de Leitura, na BM de S. João da Madeira, foi muito animada, apesar do tema morte, tema do livro do mês, As intermitências da morte, de José Saramago. Sendo a data de comemoração do terceiro aniversário do Clube, o grupo fez um "piquenique de burguesas", à boa moda de Cesário Verde. E, sim, "Houve uma coisa simplesmente bela,/E que, sem ter história nem grandezas,/Em todo o caso dava uma aguarela."



Como desafio, as leitoras foram convidadas a apresentar um texto que incluísse todos, ou grande parte, dos títulos lidos e os que já estão selecionados para futuras leituras. Deu nisto: 

 Carta de amor a um livro sem ninguém
 Se numa noite de inverno, debaixo de algum céu, um viajante me pedisse para escrever uma carta de amor, seria a ti. Dir-te-ia:
Livro, és o meu amor de perdição, sem fim à vista, mesmo que sejas um livro sem ninguém dentro. És a metade maior deste meu admirável mundo novo.
Contigo nas mãos, nenhuma humilhação me afeta e a desumanização do mundo esvai-se. Deixo de ser o homem duplicado, aquele que tem a vida que deseja ter e a vida que os outros acham que eu deva ter. Contigo, não preciso de fingir e, juntos, tornamo-nos transparentes.
Apenas contigo consigo criar fortes laços de família. Tu és a minha única família e, para não ter de te partilhar, escondo-te na casa dos budas ditosos, o meu refúgio, onde rapidamente passo do cinzento ao azul celeste das emoções. 
Que importa a fúria do mar se te tenho à mão para me acalmares?
Que importa viver constantemente no fio da navalha se te tenho ao lado para me salvares?
Tu és o meu livro do ano, todos os anos! Por favor, nunca me deixes!
Sempre teu,
Leitor anónimo

Nota: autores dos livros lidos e/ou a ler, por ordem de entrada no texto:
  1. Pedro Guilherme-Moreira
  2. Italo Calvino
  3. Nuno Camarneiro
  4. José Luís Peixoto
  5. Camilo Castelo Branco
  6. Raquel Ochoa
  7. Julieta Monginho
  8. Aldous Huxley
  9. Philip Roth
  10. valter hugo mãe
  11. José Saramago
  12. Ondjaki
  13. Clarice Lispector
  14. J. Ubaldo Ribeiro
  15. Ana Oliveira
  16. Ana Margarida Carvalho
  17. Somerset Maugham
  18. Afonso Cruz
  19. Kazuo Ishiguro

30 de julho de 2015

"DO CINZENTO AO AZUL CELESTE" NO CLUBE DE LEITURA

Foi assim, a última sessão do Clube de Leitura, na Biblioteca Municipal de S. João da Madeira. Foi com muito orgulho (e muita ansiedade) que vi o meu livro Do cinzento ao azul celeste em discussão.


16 de janeiro de 2015

E SE EU PUDESSE CRIAR UM 13º MÊS?!!

O Clube de Leitores tem o condão de me fazer escrever (por vezes saem disparates!). Lança desafios aos quais não resisto.
Desta vez: que mês criaria se fosse possível um 13º?
A resposta:
Mais um mês? Essa é que é essa! Chamar-se-ia veraneio, viria depois de agosto. Agosto, mês de férias, é uma canseira! Fazer malas, desfazer malas, fazer lanches, partir para a praia, limpar lancheiras, sacudir areia, tropeçar nos pés dos banhistas, ouvir arautos a apregoar olh’á bolinha, olh’ó gelado, esperar horas intermináveis nos aeroportos, gastar horas nos aviões, comer quilómetros sentados num carro, praguejar enquanto se busca um buraquinho onde o deixar, gastar a paciência nas filas dos museus, sofrer à espera de uma mesita nos cafés e restaurantes, andar de um lado para o outro, romper solas, cansar pés. Uf! Não há tempo para relaxar! 
Pior! Entra setembro e, cansados, mesmo antes de terem lavado a roupa suja das férias, todos regressam ao trabalho a precisar de férias! Trabalhar cansados não é produtivo, convenhamos! 
Ora aí está! Antes de setembro, depois de agosto, com todo o gosto, viria veraneio. É preciso um mês para parar. Para apreciar. Para olhar e ver. Para sentir. Para respirar. Para meditar. Para conversar. Para ler devagar. 
Neste mês, todos os dias seriam domingo. E todos teriam sol. E todas as pessoas teriam de fazer um ritual: rir, gargalhar. E celebrar a vida!

29 de novembro de 2014

ENCONTRO COM PEDRO GUILHERME-MOREIRA

Foi assim, na última sessão do Clube de Leitura na Biblioteca Municipal de S. João da Madeira. Fiz surpresa ao grupo e levei o autor de Livro sem ninguém, o livro do mês.
Foi uma grande noite cheia de gente e de palavras à volta de um Livro sem ninguém mas com muita vida dentro (e morte também, que faz parte da vida).





13 de fevereiro de 2013

CONCURSO DE FRASES SOBRE A AMIZADE

Foi uma brincadeira que me levou a receber um livro.
Respondendo ao desafio do Clube de Leitores, enviei uma frase para definir amizade e... a frase ganhou.
"Das cinco frases que o júri seleccionou para a finalíssima, duas sobressaíram. Não só pela forma simples e bonita com que falam sobre a Amizade, mas também porque foram as preferidas de quem visita o nosso espaço com frequência. O Clube de Leitores e a QuidNovi Editora têm o prazer de anunciar que as vencedoras do livro «O Suave e o Negro» de Manuel Monteiro são: 
Ana Paula Oliveira: A amizade é conjugar os verbos partilhar, compreender e ouvir no presente e no futuro do Indicativo. 
Ana Cristina Martins: A amizade não se define, sente-se e faz-se sentir, respira-se, saboreia-se, cheira-se, ouve-se e faz-se ouvir. dá-se e recebe-se, não se diz.

Ler mais aqui

2 de dezembro de 2012

CLUBE DE LEITURA

A Biblioteca Municipal de S. João da Madeira criou um Clube de Leitura ao qual aderi. Com encontros mensais (última quinta-feira de cada mês, pelas 21h30) o grupo reúne-se em torno de um livro para troca de impressões. A primeira sessão decorreu em outubro passado e o protagonista foi Livro de José Luís Peixoto. A segunda, decorreu na passada quinta-feira e coincidiu com a apresentação do último livro de Mário Zambujal, Cafuné, na presença do autor.



24 de novembro de 2012

O QUE ACABEI DE LER

“A mãe pousou o livro nas mãos do filho. 
Que mistério.” 
Assim começa o romance. 
Este livro, deixado ao filho pela mãe, é o fio condutor que leva o leitor a entrar na ação e a desenvencilhar as linhas cruzadas que unem as vidas complexas das personagens, num país onde, entretanto, entrou a liberdade: “25 de abril de 1974 Ao fim da manhã, enquanto ela recolhia a roupa do estendal da casa de banho, já seca, o Constantino entrou esbaforido a dizer que estava a rebentar um golpe em Lisboa. A Adelaide sentou-se num bordo da banheira, a ouvi-lo. Não o entendeu logo.” 

Este livro percorre toda a primeira parte do romance e revela-se na segunda parte como sendo o Livro. E o mistério resolve-se para dar lugar a uma viagem pela Literatura universal. 

A ação decorre no mundo rural português da ditadura e o narrador, aparentemente heterodiegético, desnuda, de forma subtil e elegante, temas cruéis como o abandono de um filho: “Os olhos da mãe ficaram parados nos do filho até ao instante em que o seu corpo se virou e se afastou, regressando por onde tinha acabado de chegar.” (página 17); o trabalho infantil: “Havia quem atravessasse a vila para ver uma menina de onze anos a coser à máquina, cheia de desenvoltura.” (página 47); o incesto: “Quando aquilo começou a acontecer, ela não sabia do que se tratava, tinha onze anos e a mãe fazia-lhe pequenos vestidos para as colheres de pau. (…) Mais tarde, mais velha, quando aquilo estava a acontecer, ela facilitava os movimentos do pai, conhecia-os. (…) A mãe estava viva e, depois, a mãe morreu, nunca contariam a ninguém, e ele não parou. Ficou enjoada, ficou prenha, e ele não parou” (páginas 48/49); a gravidez precoce e o aborto: “Então, houve um momento em que toda a escuridão do quarto entrou dentro dela, encheu-a. Envelheceu. Quando o seu corpo rejeitou o que poderia ser uma criança e todo o seu sangue morto, a Lubélia ainda tinha dezassete anos, mas já era velha.” (página 79); a masturbação juvenil: “O Cosme tinha já as mãos dentro das ceroulas. Quando o Ilídio e o Galopim meteram também a mão dentro das ceroulas, houve um cheiro a transpiração, a pila mal lavada, que aqueceu o ar do barracão ligeiramente.” (página 31); a fuga para França: “Quase não se despediu da tia. A velha Lubélia estava a receber o calor do lume quando lhe bateram à porta. A Adelaide abriu e, na rua, no escuro, estava um homem parado a olhá-la. Quando lá chegares, escreve-me um postal.” (página 89); “ O que seria a França? A Adelaide sabia três coisas acerca do país para onde se dirigia” (página 105); o regresso dos emigrantes para passarem as “vacanças”: “Em chegados, o Cosme podia começar a queixar-se dos fogos ruges, das embutelhagens ou das auto-rutas. O pai dele mantinha um sorriso de não entender e o Cosme murmurava-me: É muito anciano, está próprio para toda a sorte de maladias.” (página 232) 

Livro é uma estória de culturas desencontradas. Emigrantes que partiram para França e querem regressar a Portugal. Filhos de emigrantes que nasceram em França e querem para lá voltar, rapidamente, quando estão de férias em Portugal. 

Livro é uma estória de amor, também ele desencontrado: “Se namorares comigo, dou-te um pombo, cem escudos e um livro.” (página 60); “Assim que chegou à França, escreveu uma carta ao Ilídio, Meu amor, não imaginas o quanto te quero bem, mas não recebeu resposta. Escreveu outra, Meu amor, estás zangado comigo?, mas também não recebeu resposta.” (página 143); “O Ilídio tinha esmorecido depois das cartas que escrevera à Adelaide e ao Josué.” (página 146) 

É um romance de escrita criativa, cheia de beleza: “Entrava uma estrada de luz pela porta aberta do barracão da palha. A tapada estava cheia de janeiro. Sem chuva, só a ameaça, o frio crescia dentro das pedras. Também as árvores eram feitas de frio até ao momento em que ardiam no lume e subiam pela chaminé de todas as casas da vila. A tapada cheirava a janeiro.” (página 31) 

E tem um final surpreendente. Daqueles que deixam o leitor a olhar para o livro e a perguntar-lhe qual te vai substituir?

Livro, José Luís Peixoto, Quetzal, 3ª edição, outubro de 2010