21 de fevereiro de 2012

CRÓNICA DE QUEM NUNCA ESTÁ DOENTE E, HOJE, FICOU COM FEBRE

Raramente estou doente (a última vez de que me
lembro foi há um ano, deve ser mau olhado de algum entrudo!!!) e, hoje, começo a tremer, a tremer como se estivesse mesmo no epicentro de um tremor de terra de grau 8. Assim, sem mais nem para quê, sem aviso prévio, nada. Febre.
O pior é que este estado levou-me a embrulhar-me numa manta e a enroscar-me no sofá pois o sol do terraço entrava, coscuvilheiro, pelo escritório adentro, convidando-me a ficar ali em vez de mergulhar nos lençóis. Até que se estava bem, não fosse a televisão, ligada e sintonizada num canal escolhido pelo marido.
Cada vez detesto mais o futebol e a televisão. São os jogos de futebol, seguidos de noticiários, onde se mostram os lances polémicos e os grandiosos golos (como se ninguém os tivesse visto!!!), seguidos de 500 programas, em 500 canais, onde se discutem os jogos, seguidos de mais 500 programas em mais 500 canais onde se discute a discussão dos jogos.
E ainda há pior, descobri hoje. O que eu pensava serem 500 programas em 500 canais, pois só ouço, (não vejo), televisão à noite, duplicou, pois esses programas são repetidos durante a tarde. É praga! Não percebo por que motivo tantas pessoas (da alta, como dizia a minha avó) passam tanto tempo a discutir o que não tem discussão. Os jogos acabaram, os resultados foram o que foram, pronto! O que adianta discutir se foi fora do jogo, ou penalty, se a bola entrou se bateu na trave, se o Domingos perdeu a paciência ou se foi a paciência dos adeptos que se esgotou? A minha esgotou-se, decididamente. E aqueles senhores todos (e algumas senhoras, lá pelo meio!) devem ser muito bem pagos, com certeza, caso contrário não estariam ali a gastar o seu tempo e a entupirem-me os ouvidos. Que também são entupidos pelos dois cá de casa. Como tenho de aturar um doido e uma doida por futebol, apanho sustos de morte quando gritam: Gooooooolo!!!!!! Para cúmulo, tenho de ouvir gritar isto duplamente pois, não sei por que carga de água, os golos no apartamento do vizinho do andar de baixo entram uns segundos mais cedo do que no meu.
Só me resta tapar os ouvidos com tampões de silicone ou mudar de compartimento. Opto pelos ditos para não ter de enfrentar uma discussão familiar, caso me isole.
Quando a febre passar, vou sair e comprar uma caixa.
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