12 de dezembro de 2015

APRESENTAÇÃO DO LIVRO "TODOS OS TEMPOS VERBAIS"

Hoje, foi a minha estreia na apresentação do primeiro livro do meu amigo Rodrigo Ferrão. A sessão decorreu num ambiente bem intimista, vivido na simpática e original livraria-cafetaria  Snob, situada no centro histórico de Guimarães.

E foram estas as minhas palavras:

É bom conjugar todos os tempos verbais. 
Um pretérito perfeito composto de emoções, tornou-se um presente de palavras nascidas de uma alma sensível e faz vislumbrar um futuro com mais tempos a conjugar, quem sabe, com novos tempos criados por este poeta-arquiteto da frase, que é o Rodrigo Ferrão. Ele é, também, o guia que conduz o leitor por paisagens interiores cheias de enseadas e de cruzamentos. E é, ainda, o pintor que, com pinceladas de memórias, de emoções e de sensações pinta o ontem, o hoje e o amanhã como o comprova, por exemplo, o seu testamento deixado na pág. 28. 
Rodrigo é um rebelde. Desobedece à gramática e às regras que ela impõe. Ignora as maiúsculas nos inícios de frase e depois dos pontos; usa de forma convencional sinais nada convencionais e sinais convencionais de forma nada convencional. Brinca com hífens, reticências, parêntesis, repetições e não quer saber de rimas nem de métricas. Faz da frase geometria. E com as palavras faz música. E faz muito bem! Só assim, sem grilhões, o poeta poderá “condensar o mundo num só grito” como tão bem definiu Florbela Espanca, e deixar escapar o que lhe vai na alma para nós, pobres leitores, podermos apanhar esses farrapos soltos e os juntarmos num trabalho de patchwork. 
Na sua apresentação, no Porto, o Rodrigo disse não saber como “conseguem os poetas sobreviver nos tempos de hoje”, porque é difícil “arranjar espaços de silêncio e locais onde não os descubram.” Difícil mas não impossível, digo eu. E a prova está neste pequeno livro, em tamanho, mas grande em significados que tão bem foi vestido por um mestre do pincel, David Pintor. Temos assim, a seguinte operação matemática: imagem da capa + título + poemas = sedução. 
E, para concluir, nós, leitores, encontramos neste livro os nossos espaços de silêncio e descobrimos o ser que vive dentro do Rodrigo. 
Obrigada, Rodrigo, por conjugares comigo o verbo partilhar deste presente. Eu espero continuar a conjugar contigo todo o futuro.
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