13 de maio de 2015

A CAMINHO DA ELEGÂNCIA

obra do colombiano Fernando Botero

E se na mesma estória têm de entrar um elefante, um lírio, um agrafador e uma tosse seca?
Deu nisto:
Despertou com a tosse seca do marido e com o urro do elefante que, na televisão toda a noite ligada, anunciava um produto milagroso para a memória. Reviu-se naquela enormidade. Levantou-se às escuras, esbarrou na mesa, o lírio solitário da jarra e a sua fotografia enquanto jovem esbelta estatelaram-se. Lembrou-se que iria começar a caminhada para recuperar a elegância. A cirurgia bariátrica marcada para aquele dia seria o agrafador que lhe coseria a boca e a avidez.

desafio nº89 da Margarida Fonseca Santos
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