26 de fevereiro de 2022

LEITURA EM VOZ ALTA - ESTÓRIA DE AMOR




No mês dos afetos, a Rita levou para a escola o meu livro Em poucas palavras para partilhar com os amigos e a diretora de turma (a quem muito agradeço o envio do vídeo) uma estória de amor em 77 palavras. Sim, porque o amor não precisa de palavras, precisa de gestos. Partilhar uma leitura é um gesto de amor.

24 de fevereiro de 2022

DESAFIO DO PLANO NACIONAL DE LEITURA - MENSAGEM DE AMOR


O PNL desafiou e eu decidi responder ao desafio com o meu poema "aprendi, hoje, o que é o amor!".

E não é que foi premiado? E não é que o PNL até elaborou um postal para partilha nas redes sociais? 

Só posso estar orgulhosa!

31 de dezembro de 2021

ADEUS, 2021!

 Estúpido 2021! Com que então não quiseste ficar atrás do teu antecessor e vieste de má cara, continuaste de má cara e terminas ainda com cara pior. Parece que te zangaste comigo por não te ter recebido condignamente, por ter optado por vestir o pijama e dormir cedo em vez de ir para a ramboia com champagne e gente aos montes, bem sabes que não se podia fazer isso, o idiota do bicho não deixava, e ainda não deixa, mas houve quem o tenha feito, dizes tu e eu bem sei, mas sabes que eu sempre gostei de cumprir as regras, acho que tenho de deixar de o fazer, ando sempre lixada com tanto cumprimento que até ando zonza da cabeça que é para não dizer um palavrão, que por dentro tenho dito muitos, mas enfim, vamos ao que interessa e o que interessa é que podes continuar zangado pois se não fiz festa para te receber, também não faço festa para te mandar para os quintos dos infernos, nem para receber o teu sucessor. Ainda pensei comprar um pijama de lantejoulas, sempre dava um bocado de glamour à noite, mas não encontrei nenhum e, para o efeito ia dar no mesmo, quem sabe as lantejoulas não me deixariam dormir descansada e dormir é o que eu mais quero, enquanto durmo, não vejo, não ouço, não discuto, não penso. Por isso, avisa o teu sucessor que tire o cavalinho da chuva pois festa para o receber também não vai haver e diz-lhe para deixar de lado a estupidez e que se livre de querer imitar-te. Ah! Há outra coisa que eu mais quero que é apagar palavras do dicionário, pois os entendidos em feng shui, seja lá o que isso for, dizem que esta noite é de lua minguante por isso em vez de pedirmos coisas boas devemos pedir que as coisas más diminuam e é por isso que quero eliminar muitas palavras, vai-se a ver começam todas com a mesma letra, deve ser o karma que tem muita força e tu trouxeste alguns desaires à minha família durante este teu ano estúpido e se não acreditas faço-te uma lista, desastre e destruição do automóvel, despesas, doenças, discórdias, discussões, descrédito, desilusão, desânimo, distância, desamigamentos… e nem vou continuar!

Põe-te fino e passa a palavra a 2022 para que se ponha fino, também, e que deixe as idiotices de uma vez por todas que já estamos todos fartos.


12 de novembro de 2021

O BIZARRO MUNDO

O bizarro mundo continua a girar, esta é uma história de pasmar.

Guerra, violação, corrupção,

Egoísmo, deseducação, exclusão,

Fome, miséria, injustiça, doença, 

Poluição, destruição, pouca crença,

Irracionalidade, desigualdade, crueldade,

Abuso de poder, falta de solidariedade,

Ignorância, falsa amizade, insolência

Atentados, crimes, violência. 

Tantas são as pedras que fazem a engrenagem encravar. Ai! Ele vai estourar!

Mas, há sempre alguém que sabe esperar, há sempre alguém pronto a amar.

Então, resiliente, estoico, o bizarro mundo continua a girar…

Desafio nº 254 – frase de Paul Auster


23 de outubro de 2021

LANÇAMENTO DO LIVRO "A VASSOURA QUE DESVASSOUROU"

Muita emoção nesta noite do lançamento do meu novo livro com fantásticas ilustrações da Cátia Vide e editado por João Manuel Ribeiro (Editora Trinta Por uma Linha). A apresentação esteve a cargo da Dr.ª Cristina Marques e a Autarquia fez-se representar pela vereadora Dr.ª Paula Gaio.

Sinopse: A vassoura está gasta, já quase sem pelos. Cansada de tanto varrer, decide fazer greve. Solidários, e também eles fartos de trabalhar, esfregões, panos, tachos, panelas, frigideira e, ainda, o galo, que prevê o seu fim num enorme tacho, juntam-se à vassoura numa manifestação tão ruidosa que deixam a velha enloucada.







18 de setembro de 2021

11 de agosto de 2021

MOMENTO

Chegam sem dar nas vistas.

Vestem T-shirts e bermudas que despem deixando as boxers à vista de olhares indiscretos. Branco imaculado as boxers de um, alto, corpo atlético. Às riscas coloridas, as boxers do outro, baixo, de barriga proeminente. De idade indecifrável, entre 60 e 70 qualquer número lhes ficará bem.

Do saco que um deles transporta, tiram duas pequenas toalhas (tamanho toalha de rosto). Com gestos simultâneos, enrolam-nas à volta da cinta e deixam cair as boxers na areia, rapidamente trocadas por calções de banho. Cor-de-rosa, os calções de um. Vermelho, os calções do outro.

Dirigem-se ao mar e mergulham em simultâneo. Um decide enfrentar o frio da água, nada para longe e desaparece. O outro regressa à praia. Mantém-se ao alto, pés na água, alerta. Perscruta o horizonte numa espera inquieta.

Eis que um sorriso se instala no rosto. Ao longe, uma cabeça espreita da água e fortes braçadas, num crawl perfeito, devolvem o atleta ao areal.

Não decorreu nem meia hora. Regressam ao local da roupa abandonada, enrolam as toalhas à volta da cinta, deixam cair os calções de banho na areia.  Cor-de-rosa, os calções de um. Vermelho, os calções do outro. Vestem as boxers. Branco imaculado as boxers de um. Às riscas coloridas, as boxers do outro. Vestem as bermudas. Vão ao mar tirar a areia dos calções de banho que, espremidos, são embrulhados nas toalhas.

Partem para donde vieram. Uma passagem pela praia quase etérea. Poucas palavras trocam, os olhares são mais eloquentes.

O amor não precisa de palavras. Apenas de sintonia.


12 de junho de 2021

TELHADOS

Da janela, Maria vê telhados. O que esconderão?

Uns observam a noiva numa felicidade ansiosa. Outros ouvem o choro do recém-nascido. Alguns testemunham o embalo da leitura entre mãe e filha, antes do beijo de boa noite. Outros enternecem-se com o casal de velhinhos que, de mãos dadas, trocam memórias.

Também ela vive sob um telhado. O seu encobre segredos. E se ele os conta? Envergonhada, envolve-se num xaile negro para esconder as nódoas ainda mais negras.

Desafio nº 244 – imagem de telhados


10 de junho de 2021

DIA DE PORTUGAL, DIA DE CAMÕES

10 de junho é Dia de Portugal. É dia das Comunidades Portuguesas. É Dia de Camões. Este ano passam 441 anos da morte deste grande poeta que tanto enalteceu a língua portuguesa. Assim, a ele me dirijo, pois ele vive cá em casa, e com ele convivo.

Gostaria de te dizer, caro Luís, que o meu amor por ti foi um amor à primeira vista, mas tal não aconteceu. Foste-me apresentado nas aulas de Português, era eu uma catraia, mas não me foi mostrada a tua genialidade nem a grandiosidade da tua obra. Tu eras o chato que tinha escrito frases complexas cheias de orações para dividir, cheias de conjunções para classificar. Não me mostraram o quanto a tua epopeia é fabulosa, mas fizeram-me descobrir o quanto ela está recheada de “ques” difíceis de classificar. “O fraco rei faz fraca a forte gente”, escreveste tu. E digo eu: o fraco pedagogo faz fraco o forte aluno.

Conheci-te verdadeiramente e, por fim, por ti me apaixonei, mais tarde, mais velha, quando comprei a tua obra completa (a tal onde habitas em destaque nas estantes da minha biblioteca) e nela mergulhei de cabeça (e coração!). E descobri, então, os teus sonetos, as tuas endechas, as tuas redondilhas... E Os Lusíadas! Que obra de génio! 

“Mudam-se os tempos mudam-se as vontades”, lá o disseste, mas o tempo não te desgastou, antes pelo contrário, as tuas frases saíram da tua obra, foram apropriadas pelos falantes atuais e continuam a enriquecer o património linguístico desta “ocidental praia lusitana” que, “cantando e rindo” tão longe chegou e, “se mais mundos houvera, lá chegara”.

Hoje, como professora, quero que os jovens te conheçam e te leiam e te respeitem, te citem e te imitem. Quero que aprendam contigo a amar a língua portuguesa e a valorizar a nossa História, os nossos valores, o nosso património, em suma, a “ditosa pátria minha amada”. Quero que se inspirem em ti e, como tu, lutem contra todos os obstáculos, com ousadia, sem medo de enfrentar os Adamastores desta vida, pois “nos perigos grandes, o temor é muitas vezes maior que o perigo”. Quero que apreciem a leitura, e a arte em geral, tendo em conta que “quem não sabe a arte, não a estima.” Parece utópico, não achas?

“Coisas impossíveis, é melhor esquecê-las que desejá-las.”, escreveste tu.  Não poderia estar mais de acordo contigo. Mas estes meus desejos não são uma irrealidade. É possível fazer acontecer. E, “com engenho e arte”, se vai espalhando a tua obra!

“Enfim, tudo passa/não sabe o Tempo ter firmeza em nada/e a nossa vida escassa/foge tão apressada”. Por isso, antes que o tempo de cada um passe definitivamente, há que agarrar o que nos preenche, o que nos anima, o que nos alimenta. Refiro-me, obviamente, aos livros escritos por aqueles que, como tu, nos deixaram o seu legado e que com “obras valerosas/Se vão da lei da morte libertando”.

Texto publicado na revista online "A casa do João"