No contexto atual, um contexto de guerra na Europa, não poderia deixar de destacar os autores russos que me marcaram, para mostrar a quem desencadeou a guerra e a apoia que deve ler os seus próprios autores. Para refletir, aprender, respeitar os direitos humanos e, assim, melhorar o mundo em vez de o destruir.
Fiódor Dostoievski, uma das maiores referências do existencialismo, demonstra quão complexas e contraditórias podem ser as pessoas. Na sua obra faz, com mestria, uma análise social dos comportamentos humanos e de todos os erros que o ser humano pode cometer. Entre outros, aborda temas como o sofrimento e a culpa, a pobreza, a violência, o assassinato, além de analisar transtornos mentais.
Em Crime e Castigo, um livro que me marcou para a vida, o autor expõe os dramas psicológicos sofridos pela personagem principal, Raskolnikov, autor de um homicídio que lhe deixou a consciência a sufocá-lo e o seu íntimo desfeito pela culpa.
Em O Idiota, o autor expõe a problemática do indivíduo que se considera superior, num mundo obcecado por dinheiro, poder e conquistas. Nesta sociedade corrompida, recheada de pessoas desonestas, corruptas e perversas, alguém dotado de uma grande generosidade e de benevolência é considerado um idiota, um inadaptado.
No seu conto “A árvore de Natal e o casamento” Dostoievski mostra, com ironia, que os interesses económicos estão muito acima dos valores familiares e do respeito pelo outro.
Outro excelente autor russo, Lev Tolstói escreveu três romances e dezenas de contos e novelas. A Morte de Ivan Iliitch, apresenta-nos as reflexões de um homem em sofrimento que, à beira da morte, questiona as suas decisões e o percurso de vida.
Maximo Gorki acusado de exercer atividades subversivas foi preso; mais tarde, militou em inúmeros grupos revolucionários o que o levou, novamente, à prisão. Deste autor li, apenas, A mãe, numa altura em que estava, ainda, a descobrir a liberdade e a luta pelos direitos. Este romance mostra a transformação de uma mulher oprimida que passa a ser uma guerreira na luta pelos ideais, contra as injustiças do mundo.
São livros como estes, que deixam a nu os problemas sociais e morais, a ambição e a corrupção desmedidas, que deveriam ser lidos por todos para, assim, todos contribuírem para mudar o mundo, para não se repetirem os erros do passado.
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