30 de outubro de 2013

CONCURSO DE CONTO E DE POESIA CONTRA O RACISMO

Convite, recebido, hoje, na qualidade de finalista do concurso.

Foi um prazer ter escrito o conto com o tema do racismo com que participei neste concurso. Mas, ao mesmo tempo, foi um processo de escrita doloroso precisamente por causa do tema. 
E dói saber que o ACIDI promoveu este concurso porque o racismo existe. E porque existe tem de ser combatido. As consciências têm de ser abanadas, as mentalidades têm de se abrir e as atitudes têm de mudar.
Espero, com o meu conto, poder abanar algumas!
Foi com muito orgulho que recebi a informação de estar entre os 17 finalistas (no escalão a que concorri) e foi com enorme satisfação que aceitei estar presente na cerimónia de divulgação do vencedor e entrega do prémio. Mesmo que não seja eu, estão mais 16 textos ao lado do meu, já me sinto vencedora!

9 de outubro de 2013

A VIDA

A vida cansa-nos com palermices, com ninharias que não valem nada. 
A vida exige tanto de nós que nos distrai e não nos deixa espaço para repararmos naquilo que realmente é importante. 
A vida atafulha-nos os ouvidos com ruídos que ensurdecem e não nos dá tempo para ouvirmos o silêncio de alguém que, ao nosso lado, precisa de ajuda. 
A vida embrutece-nos. A tal ponto que, por vezes, é preciso procurar a paz na música dos anjos.

5 de outubro de 2013

APRESENTAÇÃO DE LIVROS NA FNAC

Integrada no programa do 6º Encontro Nacional de Ilustração, promovido pela Junta de Freguesia de S. João da Madeira, decorreu, ontem, na Fnac do Norteshopping, a comunicação "Do texto à ilustração".






Mão que treme, perna que manca, sorrisos baços de cansaços, o velho chega e senta-se no banco do jardim, todos os dias, para ouvir o trinado das aves, a única música que lhe dá brilho ao olhar e lhe apazigua a solidão. 
E aquele rosto muda o semblante à medida que o tempo escorre. O relógio é rápido e cruel. 
Chega o implacável inverno. Os pássaros vão e deixam-no só no jardim. Dói-lhe o ruído do silêncio.

(uma estória onde entrem as palavras música, silêncio, ruído)

25 de setembro de 2013

6º ENCONTRO NACIONAL DE ILUSTRAÇÃO

Em S. João da Madeira, de 15 a 19 de outubro de 2013, com o tema Oliva.


Estarei presente, na Biblioteca da Junta de Freguesia, em Fundo de Vila, dia 15 de outubro, e na Fnac do Norte Shopping, dia 4 de outubro.


Ver o PROGRAMA, aqui

21 de setembro de 2013

LAGARTA PINTADA

Desafio nº51 da Margarida Fonseca Santos: escrever um texto (em 77palavras, claro!) a partir desta ilustração de Francisca Torres.


– Lagarta pintada, quem te pintou?
– Foi a Francisca que por aqui andou e na sala brincou. Com tintas e irrequietos pincéis, a parede sarapintou. Veio a mãe, ralhou. Veio o pai, resmungou. E eu a antever que a lixívia me faria desaparecer. Veio o avô sorriu. Veio a avó sugeriu: “E se a lagarta ficasse na parede plantada? Até que a miúda é artista!”
Logo me requebrei, me retorci a tentar perguntar: “Então? Fico? Não fico?????” 
Fiquei.

31 de agosto de 2013

AMOR DE PRAIA

Desafio nº 50 da Margarida Fonseca Santos: microconto onde entrem as palavras agosto, a gosto, a contragosto, desgosto.
Depois de escrito um miniconto, o corte de palavras originou o microconto em 77palavras.

Como foram tão felizes, ali.
O verão prolongava os dias e eles esticavam-nos, ainda mais.
Foi a contragosto que ela recebeu o sábio conselho. Agosto tinha-se despedido e, com ele, o namoro de um mês de praia.
- Esquece-o! Amor de praia fica enterrado na areia e só dá desgosto!
Mas como esquecer?
Protegidos pelas dunas, tinham lido o mesmo livro que os fizera sonhar um amor eterno.
Unidos pelo vento norte, deixaram que os seus cabelos louros se emaranhassem.
Longos cachos de uvas maduras, de gordos bagos trincados em simultâneo, selaram os lábios.
Longos passeios (tão longos quanto os dias), salpicados a gosto com o calor do sol e o sal do mar, aqueceram os corpos.
Longas noites, de mãos dadas e olhos postos nas estrelas traçaram desejos.
Longas conversas, de rostos colados, projetaram o futuro.
O mês chegou ao fim e a sua cidade aguardava-o. Ela continuaria ali, à sua espera, convivendo com os caprichos do mar, do sol e da lua.
Impossível esquecer!
Seriam onze meses em ânsias mas, sabia, agosto voltaria.


Texto reduzido a 77palavras
 Foi a contragosto que recebeu o conselho. Agosto despedira-se e, com ele, o namoro de um mês.
- Esquece-o! Amor de praia fica enterrado na areia e só dá desgosto!
Mas como esquecer?
Longos bagos de uva, trincados em simultâneo, uniram os lábios.
Longos passeios, salpicados a gosto com sol e sal, aqueceram os corpos.
Longas noites, de mãos dadas e olhos postos nas estrelas, traçaram desejos.
Longas conversas, de rostos colados, projetaram o futuro.
Sabia. Agosto voltaria.


30 de agosto de 2013

O PODER DOS DEUSES


Mentiroso anúncio de um verão invernoso! Agosto entrou, triunfante, e o impossível aconteceu.
Elsa desejou o mar, todo o ano, para afogar a guerra com o marido.
Primeiro mergulho. Não se apercebeu da corrente mas o surfista apercebeu-se da aflição da mulher que esbracejava. 
Quando, deitada na areia, abriu os olhos, não queria acreditar. O grande amor da sua adolescência estava ali, para salvar o que ela destruíra há vinte anos. 
É forte o poder dos deuses!

desafio nº49 da Margarida Fonseca Santos: uma história meio louca de verão

12 de agosto de 2013

NOVAS REGRAS DE CONDUTA


Despira-se lentamente e descobrira novas manchas. 
Dormia, agora, deixando que o seu passado recente desfilasse nos sonhos. Despertou mais calmo. Declarou-se culpado, dizia-se arrependido. 
Desdenhara da relação, danificara os sentimentos quando, friamente, dispensara a namorada como quem despede alguém incompetente, enquanto dançava com outra e com ela se derreteu (e derrotou) em loucas noites de amor. 
O palavrão desenhado no relatório médico desconcertou toda a sua existência, derramou-lhe lágrimas sofridas e definiu novas regras de conduta. Seropositivo!

todos os verbos começados pela letra D
desafio Rádio Sim, nº4, da Margarida Fonseca Santos, no blogue 77palavras