27 de maio de 2013

ENCONTRO COM AFONSO CRUZ



Hoje, Afonso Cruz esteve em S. João da Madeira. De tarde, na escola Oliveira Júnior e, à noite, na Biblioteca Municipal com o Clube de Leitores.
Afonso Cruz é escritor, ilustrador, realizador de filmes de animação e compõe para a banda de blues/roots The Soaked Lamb. É um homem multifacetado que adora viajar e conhece mais de sessenta países. 
Em 2008, publicou o seu primeiro romance, A Carne de Deus: aventuras de Conrado Fortes e Lola Benites e, em 2009, Enciclopédia da Estória Universal, galardoado com o Grande Prémio do Conto Camilo Castelo Branco - APE/Câmara Municipal de Famalicão. São seus, também, Os livros que devoraram o meu pai (Prémio Literário Maria Rosa Colaço 2009), A contradição humana (Prémio Autores 2011 SPA/RTP; seleção White Ravens 2011; Menção Especial do Prémio Nacional de Ilustração 2011), A boneca de Kokoschka, Jesus Cristo bebia cerveja e O livro do ano.

14 de maio de 2013

ERA ABRIL...


Só podia ser premonição. Dormia mal mas, naquela noite, não sossegava. O ar tinha um cheiro diferente que adivinhava mudança. E teve pesadelos. 

Uma porta fecha-se ferozmente atrás dele e uma prisão escura, sem ar, rouba-lhe o alento. Agarrado às grades, abana-as, tenta arrancá-las para poder fugir. Grita mas ninguém lhe responde…

Apenas a rádio lhe respondeu com uma canção proibida. Grândola, vila morena. Abriu a janela e a noite cheirava a cravos vermelhos. Abril trazia esperança.

77PALAVRAS NA RÁDIO SIM



O projeto dos contos em 77 palavras chegou à Rádio Sim. Margarida Fonseca Santos, a mentora do projeto, lê diariamente um conto dos muitos que têm chegado ao seu blogue 77palavras. 

Hoje, foi a vez de ser lido um dos meus microcontos que pode ser ouvido aqui

5 de maio de 2013

DIA DA MÃE


Mãe, mulher maravilha
Amante sem limites
É infinitamente infinita!

Terno é o seu sorriso,
Eterno, também! Dos lábios não se esvai
Mesmo que os olhos marejem.

Cada MÃE é especial e única.
Arma que arremessa contra o perigo
Luz que apaga a escuridão
Mistério que dá vida
Anda, Mãe, vamos brindar!

25 de abril de 2013

O QUE ACABEI DE LER

Conhecia Philip Roth de nome mas nunca tinha lido nada dele. Li, agora, dois de uma assentada: A humilhação e Indignação.
Em relação ao primeiro, a palavra certa para definir o conteúdo do romance é tragédia. A tragédia da vida, a tragédia da perda: juventude, autoconfiança, amor.
Quando se perde a magia e se esgota o ânimo, vem a humilhação. Axler, um famoso ator, já não consegue representar, a sua reputação está em causa, a sua vida familiar desmorona-se, o vazio da sua vida aterra-o e a crise da idade leva-o a procurar internamento psiquiátrico. Apenas o desejo erótico e o relacionamento com uma mulher, vinte e tal anos mais nova, o revitalizam e o fazem sentir de novo que a vida tem magia. Mas os planos são o que são e nem sempre é possível concretizá-los e a humilhação regressa. E Axler acaba como sempre viveu: num palco a representar a sua própria tragédia!
Um romance forte, sem tabus nem preconceitos, onde temas como os abusos sexuais a menores, a homossexualidade, o divórcio, o amor e o sexo, a esperança e a frustração, o suicídio são postos a nu e abordados com frontalidade e crueza, até. 
Roth marca de uma forma pesada. Ler um romance de Roth implica ficar muito tempo a digeri-lo num debate com as personagens tão intensas que até parece que gostam de chicotear o leitor. Mas o leitor de Roth é masoquista (pelo menos esta leitora é) e gosta de levar pancada psicológica e de viver a vida das personagens como se fossem a sua vida, num enorme prazer da leitura que se prolonga para além da leitura do livro.

15 de abril de 2013

27 de março de 2013

PRAIA


Ouves? 
É a onda que vem a nadar 
Vem ligeira, vem cochichar. 

Ouves? 
É a espuma que vem a dançar 
Vem com leveza, vem sussurrar. 

 Ouves? 
É o búzio que vem a cantar 
Vem de roldão, vem segredar. 

Ouves? 
Tombam abraçados 
E na areia se espraiam. 
Impudica, 
Deixa que a beijem 
E a acariciem 
E lhe sussurrem. 
Interesseira, 
É ela que ouve 
 Todos os segredos 
Que o mar tem para contar.

texto e foto de Ana Paula Oliveira

25 de março de 2013

PRIMAVERA ATRASADA


Pobre passarito abandonado na árvore nua.
Pousado sobre o ramo mais alto, espera o epílogo das suas aventuras. Sabe que a primavera está, ainda, no leito do inverno, abnegada e lânguida. Dona do tempo, nada a arrelia. Nem mesmo chegar atrasada. Virá quando quiser ou o inverno a desabraçar. E o passarito, perdido e sem voz, espreita-a.
Árvore solitária, envergonhada da nudez; pássaro silencioso. Duas solidões, caladas e pacientes, esperam que se abra a porta do tempo.



desafio nº38 da Margarida Fonseca Santos:
  • escrever uma frase que tenha entre 5 e 8 palavras. 
  • dividir as letras duas a duas, independentemente de fazerem ou não parte da mesma palavra!
  • distribui-las noutras palavras, ao longo do texto.

24 de março de 2013

O QUE ACABEI DE LER


Luísa, Alda, Duarte. Três vidas que se cruzam, entrecruzam e enredam. Fios tecidos num nó que se aperta, à medida que a narrativa avança, e se torna cada vez mais difícil de desatar. 
Alda não vive o presente, finge; agarrada a um passado recente, recusa sair da vida do marido precocemente falecido e desperdiça a sua vida no álcool. 
Duarte esconde um passado (também desperdiçado no álcool), para viver o presente sóbrio mas sem coragem para entrar na vida de Luísa. 
Luísa quer entrar na vida dos dois e sofre porque ambos enfrentam problemas que os impedem de entrar na sua.  
Um livro intenso que põe a nu o sofrimento das pessoas que vivem na dependência mas também daqueles que as rodeiam e tentam ajudar. Um livro que se agarra ao leitor. Um hino à amizade.
“Disseste que devemos escrever as falhas dos nossos amigos na areia.
Citavas Pitágoras, e eu fiquei impressionado.
Perguntei-te se seria à beira-mar, e tu, muito convicta, reforçaste a ideia.
- Claro!
Depois, reflectiste:
- Em qualquer sítio, no deserto, nas dunas, o efeito é o mesmo. Desaparecem, é isso que devemos fazer às falhas dos nossos amigos.” (pág.136)