5 de julho de 2012

ENTREVISTA

Os meus alunos são umas pestinhas mas até que me fizeram uma entrevista interessante!


Ana Paula Oliveira é professora de Português na Escola Básica de Arrifana onde é, também, bibliotecária. Publicou dois livros intitulados Do cinzento ao azul celeste, em abril de 2009, e O santo guloso, em janeiro de 2012. 
- Quando decidiu iniciar uma carreira como escritora? 
- Não foi uma decisão, foi um acaso, e nunca pensei que as histórias escritas passassem a livros. Alguns dos meus contos chegaram à editora Calendário de Letras através de uma amiga e a editora decidiu apostar num, de que gostou, e o primeiro livro foi publicado. 
- Alguma vez se questionou como seria a sua vida se não se tornasse escritora? 
- Não, nunca me questionei porque sou escritora apenas nas horas vagas e quando a inspiração chega; escrevo umas histórias mas sou essencialmente professora, essa é a minha profissão. 
- O seu maior sonho de criança era ser escritora? 
- Não, nunca foi um sonho, mas sempre gostei de escrever e fazia composições interessantes pedidas pelas professoras de português. Lembro-me que, quando andava no sexto ano, me levantei uma noite para escrever um texto, cuja ideia me surgiu naquele momento, e a professora não acreditava que tinha sido eu a escrevê-lo, o que me deixou muito frustrada. 
- Como se inspira para a escrita? 
- Olhando ao meu redor, observando o que se passa, lendo muito, uma vez que as minhas leituras também são fonte de inspiração, fazendo pesquisa. O meu primeiro livro, por exemplo, resultou de uma pergunta feita por um aluno: “Por que motivo temos de andar tanto tempo na escola?” Esta pergunta originou uma resposta que posteriormente foi transformada numa história sobre a escola e a vida antes e depois do 25 de abril de 1974. 
- O que procura despertar com os seus livros? 
 - Pretendo motivar para a leitura, inspirar os alunos e divertir-me. Aliás, comecei a escrever mais seriamente sempre que pedia aos alunos para escreverem um texto. Para lhes provar que não pedia nada do outro mundo, era eu a primeira a escrever, para dar o exemplo. Assim, os meus alunos passaram a ser as minhas “cobaias” e os primeiros ouvintes das minhas histórias. 
- É difícil escrever um livro? 
- É. Dá trabalho, exige esforço e concentração, imaginação e, sobretudo, tempo muitas vezes roubado à família. 
- Escreve ficção ou inspira-se em factos reais? 
- As duas histórias publicadas baseiam-se em factos reais mas tenho histórias escritas completamente inventadas. 
- Imaginaria a sua vida sem livros? 
- Nunca!!! Os livros fazem parte da minha vida desde sempre. Sempre tive livros em casa, desde a infância, sempre procurei livros nas bibliotecas, compro livros, trabalho com livros, tento criar leitores e provar que quem lê é muito mais feliz e consegue viver várias vidas: a própria e a de todas as personagens. 
- Pensa criar outro livro? 
- Tenho outras histórias escritas mas não sei se vão passar a livros. Isso vai depender da editora que, por sua vez, irá decidir a publicação de outro livro de acordo com a reação dos leitores. Se os dois livros publicados tiverem boa aceitação e venderem bem, poderá ser que se publique mais algum ou alguns.
 - Quando era criança e adolescente, que livros gostava de ler? 
- Naquela altura não havia a quantidade de livros nem de autores, sobretudo portugueses, que há hoje. Lia tudo da Enid Blyton e coleções como, por exemplo, Biblioteca das Raparigas e Biblioteca da Juventude. Mais tarde, já quase a terminar a adolescência li vários autores russos e franceses. 

 Muito obrigada pela sua disponibilidade, esperamos que tenha muito sucesso.

Turma 8ºCEFB
ano letivo 2011/2012



4 de julho de 2012

ARREPENDIMENTO

Desta vez, o texto é uma parceria com a minha mãe.

ilustração de Adão Cruz

- Bateste à minha porta, poesia! Voltei-te as costas, não te recebi. Não quis pensar em nada, apartou-se de mim qualquer magia.
- Quis inundar-te, não me recebeste! Disseste-me não!
- Minhas mãos, de trabalho, estão cansadas.
- Podias descansar em mim!
- Minhas ideias, de oprimidas, ficaram pardas.
- Quis iluminar-te o pensamento!
- Cheio de dor está o meu pobre coração.
- Quis serená-lo, não me atendeste!
- Agora, arrependida, sinto dor. Não atendi o teu apelo, fui cruel.
Partiram, então, em direções opostas.

desafio nº11 da Margarida Fonseca Santos, no blogue 77palavras

3 de julho de 2012

EM DIREÇÕES OPOSTAS

 ilustração de Anna Walker

– Longe vão os tempos em que não nos separávamos! Transformávamos o dia numa festa permanente apenas refreada pelo remanso da noite.´
–Tínhamos a guitarra como nossa testemunha…
– Escrevíamos poemas rimados, compúnhamos baladas…
– Cantávamos em uníssono, vozes afinadas pelo diapasão do coração.
– Lembras-te? Criámos a nossa canção, a palavra-passe para entrada num mundo onde tudo parecia perfeito e imutável e, (eu convencido!), caminhávamos para um futuro mais-que-perfeito…
– Que não chegou a ser futuro!
Partiram, então, em direções opostas.

desafio nº11 da Margarida Fonseca Santos, no blogue 77palavras

25 de junho de 2012

FRANCISCO


ilustração de Cyril Rolando

Não sei o que vai na cabeça do Francisco. Mas sei o que vai no seu olhar. De um azul cristalino e transparente, os seus olhos despejam o mar quando chora, espelham o sol quando ri, iluminam a noite quando pensa. Piscam de curiosidade, tremem enquanto busca o desconhecido, brilham quando encontra o saber. Mas são as mãos que tateiam e o guiam pelas páginas da vida. Observo-o! Sei o que não vai na cabeça do Francisco!

(microconto publicado no blogue 77palavras - desafio nº10)

23 de junho de 2012

SORRISOS


Sorrisos, tímidos ou rasgados, furtivos ou atrevidos, são como os abraços e os apertados laços.

(participação no novo passatempo da Artidar)

17 de junho de 2012

O GALGO E A TARTARUGA

Fábula revisitada, sem a letra e


Não foi por acaso, não! Ganhando a corrida ao galgo, a tartaruga ganhou a aposta.
Mas, do início, vamos a história contar.
Numa morna manhã, a tartaruga, vagarosa, divagava. Um galgo distâncias galgava.
Irónico, zombou:
 – Mandriona! Com tal ritmo, tanto vagar, quantas vitórias irás alcançar?!
 – Vai bugiar. Vai uma aposta?
O galgo riu. Aprovou a proposta. Confiado, à sombra dormiu, sonhou...
A tartaruga, ultrapassando-o, a fita ambicionada cortou.
Vitoriosa, muito orgulhosa, bradou:
 – Fanfarrão! Tiras daqui a lição?

desafio nº9 da Margarida Fonseca Santos publicado no blogue 77palavras

10 de junho de 2012

ÁRVORE AGRADECIDA


        Curvada,
        beijo, agradecida, a terra que me alimenta.

7 de junho de 2012

DESCANSO

Desafio nº8 da Margarida Fonseca Santos (blogue 77palavras): no texto apenas podem aparecer palavras com as letras A E O T R S P L M N D C



A tarde decorre lentamente. O sol espera-me. Pretendo estender-me, descansar. Toco no acelerador, o carro estremece. Paro no local deserto, (apesar de tão perto!), onde encontro calma, onde todos os contratempos, até os (aparentemente) sem desenlace, se apartam como por encantamento. O tempo está sereno e, desasado, não se apressa. Solto o pensamento. Nado compassadamente, no espaço, sem cansaço, e depressa alcanço o éden.
Calor. Ondas. Mar.
E, para completar o concerto, o soneto no areal traçado.


6 de junho de 2012

OS "HERÓIS" DE PORTUGAL

Quino

Até que enfim! Encontrei alguém que me compreende! Não, não é a Mafalda. É um  homem! Escreveu João Tordo, na sua crónica da revista do Expresso, no passado dia dois de junho:
“A chegada de mais um campeonato europeu (…) é um regalo para o governo: milhões de portugueses andarão, durante um mês inteiro, distraídos dos assuntos fundamentais (…) e concentrados na nossa droga de excelência…”
Ora, a nossa (deles, restantes portugueses, porque minha não é!!!) droga é o futebol, que, para mim, é mais uma praga do que um desporto. Não é o futebol em si que me irrita. É tudo o que está à sua volta.
O que me irrita é a cegueira que ele provoca, os milhões de euros que envolve, a corrupção a que está ligado.
O que me irrita, são os jogadores (e particularmente os da seleção!) sem instrução, sem educação, vaidosos, que se sentem superiores a tudo e a todos só porque calçam chuteiras, ganham e gastam quantias obscenas.
O que me irrita, são os adeptos (a começar pelos dois cá de casa) que perdem o tino, a razão e, muitos, o dinheiro que não têm e vibram com os jogos como se disso dependesse as suas vidas ou a solução de todos os problemas do país.
O que me irrita é o facto de esses jogadores serem considerados heróis pela comunicação social que exacerba e alimenta uma importância e um valor que não têm.
Que nervos!

4 de junho de 2012

PARTISTE...



Partiste antes do tempo, há sete anos.
Vieram sete demónios, atacaram-te impiedosamente, não te pudeste defender.
Roeram-te as entranhas, fizeram-te sofrer sete meses…
Não tinhas sete vidas para viver. Partiste!
Sete anjos olharam por ti enquanto te debatias. Mas, de longe, veio outro, de grandes asas brancas, e arrancou-te das garras que te sufocavam. Deu-te a paz.
Sete de abril. Ficamos nós, as sete, a chorar a tua partida, a aplaudir a tua vitória.
Já não sofrias!

desafio nº7 lançado no blogue 77palavras, de Margarida Fonseca Santos