10 de junho de 2024

ESCOLA - UM MICROCOSMO LINGUÍSTICO

Cheguei à escola, carregada com um pesado saco de livros, e várias crianças imediatamente foram ter comigo para me ajudarem a carregar o saco para a biblioteca onde ficaram a apreciar os livros novos expostas e a conversar sobre eles.

Os vários sotaques que fui ouvindo soaram-me a música. E apercebi-me que é esta música que muito tenho ouvido ao longo deste ano letivo. Nunca, até então, tinha sentido a variedade linguística com tal intensidade.

Trabalhar numa escola, hoje, é viver numa torre de babel onde diferentes línguas, com diferentes sotaques, se misturam.

Trabalhar numa escola, hoje, é ouvir uma sinfonia de vozes, onde cada língua e cada sotaque são notas perfeitas que compõem uma melodia harmoniosa. Ou fios que, tecidos, criam uma manta de histórias e culturas, num trabalho de patchwork.

Cada aluno traz consigo a música da sua língua natal. E que agradável é, por ser tão doce, ouvir o português de Portugal entrelaçado com o português do Brasil e o de África!

Esta diversidade traz frescura e lembra-nos que a beleza da comunicação, e da vida, está na variedade.

Ouvir histórias contadas em idiomas diferentes lembra-nos que, apesar das diferenças, os sonhos, as esperanças e as alegrias são universais.

A escola tornou-se um microcosmo, um lugar onde se celebra a diversidade e se aprende que cada voz é uma contribuição indispensável para um mundo harmonioso. Assim, a Torre de Babel deixa de ser um símbolo de confusão, já não é castigo divino, é música para os ouvidos.

30 de abril de 2024

CONCURSO CONCELHIO MICROCONTOS DE ABRIL



A Rede de Bibliotecas de S. João da Madeira lançou o concurso "Microcontos de Abril" a toda a comunidade escolar dos 3 Agrupamentos de Escolas. 

Foi com muita alegria que vi o meu conto, "O primeiro de muitos", premiado (1.º lugar) na categoria adultos.

Todos os contos premiados foram publicados num ebook que pode ser lido aqui.


7 de abril de 2024

26 de março de 2024

DIA DO LIVRO PORTUGUÊS

 

No Dia do Livro Português, que se comemora em 26 de março, eis os meus. São 7. Cinco são apenas meus; dois são antologias, com os textos vencedores de concursos de escrita, onde estão publicados dois contos meus.

A data foi criada pela Sociedade Portuguesa de Autores com o intuito de destacar a importância do livro, do saber e da língua portuguesa em todo o mundo.

Foi escolhido o dia 26 de março para esta celebração pois foi neste dia, em 1487, que se imprimiu o primeiro livro em Portugal: o “Pentateuco”, em hebraico. Ele saiu das oficinas do judeu Samuel Gacon, na Vila-a-Dentro, em Faro.

25 de fevereiro de 2024

HÁ DIAS ASSIM


 Há dias assim, e muitos foram,

em que a raiva corria nas veias 


Há dias assim, e tantos se repetiram,

em que as lágrimas jorravam sem esteios


Há dias assim, e tanto se prolongaram,

em que o medo tolhia as ideias


Há dias assim, e tanto se demoraram 

em que apenas se ouvia o eco do silêncio


Mas também há dias assim

que nascem iluminados

que se levantam e se revoltam

que abrem portas tanto tempo cerradas

que dão lugar ao rumor das palavras libertadas

que se vestem de cravo vermelho e fazem da cidade um jardim


Sim! Há dias assim

em que o tempo deixa de contar

e se transformam num poema com tempo e com vagar

18 de fevereiro de 2024

UM TRIO PECULIAR

 


Num jardim, jaziam esquecidos um regador metálico, apaixonado pelas elegantes roseiras, um pedaço de madeira, marcado por cicatrizes de aventuras passadas, e um charuto queimado, saudoso do seu fumo adocicado.

Cansado da inércia, este trio peculiar uniu-se para criar uma instalação artística e chamar a atenção.

O regador suportou a tábua, transformada em tela, à qual o charuto ofereceu novas texturas. Nela colaram-se folhas soltas, arrastadas pelo vento.

Já não eram inúteis. Eram, agora, arte no jardim.

 

11 de fevereiro de 2024

VISITA INSÓLITA

Maria Coruja lembra-se, repentinamente, da sua tia-bruxa, uma figura enigmática e misteriosa que já quase esquecera por não a ver há imenso tempo. Abana a cabeça, para espantar este pensamento, e continua a preparar o caldo de ervas e especiarias cujo aroma se mistura com o cheiro a incenso. Contudo, continua a pensar insistentemente nela. Porquê?

- Olá, querida sobrinha. Espantada?

Não era possível! Tão insólita visita só poderia significar uma reviravolta mágica na sua tão monótona vida!


20 de janeiro de 2024

PARTICIPAÇÃO NA FESTA DO LIVRO DA AJUDARIS

É sempre um prazer colaborar com quem vive a ajudar os outros. Obrigada pela confiança, Ajudaris. O mundo precisa, muito, de gente solidária!

17 de dezembro de 2023

O QUE ACABEI DE LER

O título do livro remete, desde logo, para o célebre poema de Sophia de Mello Breyner Andresen, “Esta é a madrugada que eu esperava / O dia inicial inteiro e limpo / Onde emergimos da noite e do silêncio /E livres habitamos a substância do tempo”.

E a questão coloca-se: o que tem a ver o Natal (palavra no título) com o poema associado ao 25 de Abril e com a imagem da capa com cravos vermelhos, símbolo da revolução e da liberdade, espetados num pinheiro de Natal?

A curiosidade do leitor rapidamente é sossegada pela narradora que, logo no início da narração, dá a resposta: O Natal aproxima-se e o seu avô não sabe o que é o Natal. O seu avô está duplamente esquecido (de si próprio e pelos outros). Tão esquecido, que responde, quando lhe perguntam quem é, “Ninguém”, como o Romeiro do Frei Luís de Sousa.

Quando o avô decide falar, a neta ouve-o falar de um Natal passado há 50 anos. Um Natal “inteiro e limpo”, em que as pessoas vieram para a rua. Soldados e mulheres. E flores. “O povo na rua, a guerra no fim, o dia de festa”.

Sim! Era Natal nesse dia porque homens e mulheres puderam estar juntos, a guerra tinha acabado, havia países novos, os militares não dispararam.

Era Natal!