8 de agosto de 2018

BULLYING

“Jovem alija a raiva estorcegando o pescoço a um colega” 
Eis o título da notícia em letras garrafais.
Conheço o Pedro, é calmo, não costuma resolver assim os problemas, mas foi demais! 
Rui atazanava-lhe a paciência, diariamente. Nefrítico desde criança, educado sem mimo, raramente osculado, resolvia as dores provocando dores nos outros. Uma vez, outra vez, paulatinamente. 
Foi junto dos rododendros do parque. Pedro não aguentou, encarniçou-se e despejou no colega tudo o que suportara durante meses. 

22 de julho de 2018

ASSASSINOS!

Rapidamente o detetive descobriu a arma do crime: belíssimos, saborosíssimos, tentadores, irresistíveis cup cakes.
Verdadeiros crimes passionais, crimes maldosos, provocados na cidade pela artista pasteleira com os seus pequenos, mas mágicos bolos.
Por ironia do destino, conseguira abrir a loja mesmo ao lado do consultório da nutricionista. Ora, nenhum dos seus clientes, homens, mulheres ou crianças, resistiu à primeira montra. Todos sucumbiram ao desejo ao primeiro olhar, à primeira trinca.
Cup cakes assassinos de todas as dietas!


2 de junho de 2018

ESTÚPIDA DOR!

Tanta TRAVESSA, tanto prato, tanto para lavar!
A LIMPEZA da mansão deixou-me de rastos.
Forte dor nos RINS instalou-se, inflexível, estúpida.
Fecho o CORTINADO para dormir e esquecer.
Nem este RETIRO no quarto me apazigua.
Imagens FANTASMAGÓRICAS perpassam-me o cérebro tenso, cansado.
E o meu PENSAMENTO só quer viajar.
Partir, fugir deste CONTINENTE buscando melhores dias.
Renegar esta vida de MISÉRIA, tão subserviente.
Entrar apressadamente no EXPRESSO da meia-noite, desertar.
Com uma única PROMESSA: jamais aqui voltar.

Desafio nº 142 ― 11 palavras para frases de 7

6 de abril de 2018

FOI COM AS AVES...

Havia um fogo que a queimava e as lágrimas não o apagavam. A ferida aberta no ego dilacerava-a.
No início, tudo parecia fácil. Não havia numerus clausus a limitar o sonho. Mas, deixara-se arrastar no tempo, distraíra-se, as regras mudaram.
Não! Não era um pano velho que se atira ao lixo, esfiapado, amachucado. A desforra chegaria. O seu sonho seria real! Mesmo que tardasse!
Sem hesitação, partiu atrás dele. Tal como o poeta, foi com as aves…

 Desafio nº 138 ― frase de Hemingway: “Escreve, se puderes, coisas que sejam tão improváveis como um sonho, tão absurdas como a lua-de-mel de um gafanhoto e tão verdadeiras como o simples coração de uma criança.”

21 de março de 2018

11 de março de 2018

É MESMO BURRO!

É mesmo burro!
Burro quando atafulha o frigorífico com açúcares e gorduras, ingerindo-os como se o mundo estivesse a acabar. 
Burro quando recusa o ginásio, as caminhadas ou outra atividade desportiva que o arranque do sofá.
Burro quando abusa do isqueiro para acender cigarros, uns atrás dos outros. Queima-os e queima-me a paciência que já não aguenta tanto fumo.Só não é burro quando entra em casa, todos os dias, com uma rosa, a minha flor predileta.

25 de fevereiro de 2018

SEPARADOS DE FRESCO

Vivi sempre despojado de tudo até que ela, dourada e brilhante, se colou a mim num momento mágico. E nada mais nos separou. Nem a água, nem o sabonete, nem o creme amaciador, nem a areia na praia. Unidos para sempre, tinha ouvido. 
Mas, tudo mudou, trinta anos depois, e hoje ela foi-me retirada abruptamente. Foi depois da saída do tribunal e ainda não me habituei à ideia de ficar novamente nu. 
Dedo anelar de recém-divorciada sofre! 



16 de fevereiro de 2018

GRANDE GABARITO!

O diretor Adérito, professor de educação física, lançou um desafio: o primeiro a chegar à meta ganharia a medalha de honra da escola e representá-la-ia nos europeus de atletismo. Bonito serviço arranjou! 
De temperamento esquisito, autointitulado o maior atleta da escola, todo expedito para mostrar o seu gabarito, o rapaz partiu em grande velocidade, antes de ouvir o sinal. Tinha como intuito provar que ninguém o superava. Não correu bem. Mal arrancou, caiu estatelado, o pobre Tito

7 palavras com ITO (por ordem alfabética)

10 de fevereiro de 2018

SEMÁFORO

Chegou demasiado tarde. O sinal verde não esperara por si e o vermelho logo apareceu, impedindo-o de avançar. Acabara de perder a oportunidade de a reconquistar e de reatar a relação terminada por mal-entendidos. 
Fantasiara uma vida a dois demasiado cor de rosa, impossível de manter. Depois disso, desconfiou, enciumou, questionou, não acreditou, dramatizou. Deu para o torto. Quando quis mudar, hesitou. Mas o tempo, entretanto, expirara impiedosamente. 

O semáforo dos afetos não se mantém infinitamente verde! 


(imagem daqui)