30 de setembro de 2016

LINHA 111

- Bom dia, linha 111, achados impossíveis. Como posso ser útil? 
- Estou em pânico! Desespero total! Preciso de ajuda urgente! Perdi as ideias. Todas. Não sei onde as deixei, nem onde procurá-las. Não sei o que fazer! 
- Vá com calma, tudo tem solução! 
- Onde? Como? Quando? (gritos….) 
- Vá à internet, procure o blogue 77 palavras. Lá, encontrará todas as ideias fantásticas. Apenas se arrisca a ganhar outro problema: dificuldade em escolher. Mas, para isso, pode usar outra linha!...

24 de setembro de 2016

ESCOLA CINZENTA

Na sacola, o livro e a lousa. No bolso da bata, o elástico para saltar nos intervalos. Na cabeça, os sonhos. E a vontade de conhecer o mundo. 
Mas, aprender era saber de cor todos os rios, montanhas e caminhos de ferro de Portugal (províncias ultramarinas incluídas!). Era saber rezar e costurar. Era aguentar as reguadas. Era interiorizar a passividade da mulher. Era prestar vassalagem aos ditadores que, nas molduras da parede, nos vigiavam. 
Cinzenta escola, essa!



17 de setembro de 2016

FEIRA DO LIVRO DO PORTO '16

Foi assim, a minha passagem pela Feira do Livro do Porto, ao serviço da Calendário de Letras e da Alfarroba Edições.





9 de setembro de 2016

FEIRA DO LIVRO DO PORTO 2016

Amanhã, dia 10 de setembro, estarei a marcar presença na Feira do Livro do Porto, Pelas 16h, no pavilhão da Calendário de Letras e, pelas 21h, no pavilhão da Rota do Livro (75). Apareçam!

1 de setembro de 2016

À ESPERA DO FIM

Deitada na cama à espera do fim, Adriana ralhava com a vida por não ter cumprido o tratado: viver até aos 100. Cabeça e tronco doíam-lhe como se um martelo a espancasse, mas o problema não tinha solução. Queria encontrar um refúgio onde não a encontrassem ou a deixassem, pelo menos, pensar. Sempre contornou os espinhos das rosas com que compôs os ramos que fazia. O que não contornava, agora, era a doença e a família desmembrada


Desafio nº110 da Margarida Fonseca Santos: palavras obrigatórias a negrito

29 de agosto de 2016

RELAÇÃO COMPLICADA

Relação complicada, a deles. Hábitos enraizados, velhas manias, nenhum dos dois mudava. Ela afogava a raiva no piano (e nos chocolates!); ele lançava a fúria ao mar, na praia em horas desertas. E o mar ripostou. A garrafa chutada pela onda nervosa bateu-lhe nos pés molhados. Lá dentro, um papel. Leu: 
“Queres conhecer a felicidade? 
 Começa por te aperfeiçoares interiormente. Procura dentro de ti. Aprende a encontrar. Sê aquilo que buscas no outro. Cria. Sonha. Ousa mudar.”

"LEITURA QUASE INSTANTÂNEA"

Estas caixinhas mágicas são um projeto de Cristina Taquelim para as Palavras Andarilhas 2016.
Consiste num conjunto de microcontos, em 77 palavras, de vários autores entre os quais me encontro. São eles: Isabel Zambujal, Patrícia Reis, Susana Amorim, Inês Do Carmo, José Jorge Letria, Maria João Lopo Carvalho, Teresa Meireles, Ana Paula Oliveira, Isabel Mendes de Almeida, Alda Goncalves, Paula Isidoro, Elisabeth Oliveira Janeiro, Clara Lopes, Sandra Évora, Theo de Bakkere, Carla Silva, Maria Amélia Meireles, Paula Coelho Pais.

FEIRA DO LIVRO NA PRAIA DA VAGUEIRA - ENTREVISTA


Foi assim, na feira do Livro da Praia da Vagueira, na companhia de João Cunha Silva, com direito a entrevista que pode ser ouvida aqui:










11 de agosto de 2016

GASPEADEIRA DE SONHOS

Era uma aluna brilhante, a melhor da turma. Maria de Fátima gaspeava sonhos, mas o regime de ditadura rapidamente os descosia. E não adiantou o brilhantismo do exame da quarta classe. As suas mãozinhas infantis eram necessárias para fazer entrar o dinheiro que escasseava em casa. A escola só comportava gastos. 
E foi assim que se empregou numa fábrica de sapatos onde tem arrastado toda a sua vida. É gaspeadeira*. Gaspeia o calçado, já não os sonhos. 

*Gaspeadeira: operária que deita gáspeas em calçado
Gáspea: parte dianteira do rosto do calçado que cobre o pé, e é cosida, à maneira de remendo, à parte posterior.