11 de junho de 2013

LER ACALMA

ilustração de Jessie Willcox Smith

Chega a noite e o sol já dorme. Lia não quer que a luz se vá. Tem medo do negro da noite. Pega num livro, trilho para a calma. Lê e ri. Solta os medos sempre que vira mais uma folha. 
Pousa o livro e dorme. Sonha com bruxas e fadas, elfos e magos. As horas passam, lentas. E nasce uma manhã nova feita de risos claros. Sem fome nem frio. Sem lama, sem manchas, sem sombras.

(77palavras, desafio nº44:  usar apenas palavras com uma ou duas sílabas)

27 de maio de 2013

ENCONTRO COM AFONSO CRUZ



Hoje, Afonso Cruz esteve em S. João da Madeira. De tarde, na escola Oliveira Júnior e, à noite, na Biblioteca Municipal com o Clube de Leitores.
Afonso Cruz é escritor, ilustrador, realizador de filmes de animação e compõe para a banda de blues/roots The Soaked Lamb. É um homem multifacetado que adora viajar e conhece mais de sessenta países. 
Em 2008, publicou o seu primeiro romance, A Carne de Deus: aventuras de Conrado Fortes e Lola Benites e, em 2009, Enciclopédia da Estória Universal, galardoado com o Grande Prémio do Conto Camilo Castelo Branco - APE/Câmara Municipal de Famalicão. São seus, também, Os livros que devoraram o meu pai (Prémio Literário Maria Rosa Colaço 2009), A contradição humana (Prémio Autores 2011 SPA/RTP; seleção White Ravens 2011; Menção Especial do Prémio Nacional de Ilustração 2011), A boneca de Kokoschka, Jesus Cristo bebia cerveja e O livro do ano.

14 de maio de 2013

ERA ABRIL...


Só podia ser premonição. Dormia mal mas, naquela noite, não sossegava. O ar tinha um cheiro diferente que adivinhava mudança. E teve pesadelos. 

Uma porta fecha-se ferozmente atrás dele e uma prisão escura, sem ar, rouba-lhe o alento. Agarrado às grades, abana-as, tenta arrancá-las para poder fugir. Grita mas ninguém lhe responde…

Apenas a rádio lhe respondeu com uma canção proibida. Grândola, vila morena. Abriu a janela e a noite cheirava a cravos vermelhos. Abril trazia esperança.

77PALAVRAS NA RÁDIO SIM



O projeto dos contos em 77 palavras chegou à Rádio Sim. Margarida Fonseca Santos, a mentora do projeto, lê diariamente um conto dos muitos que têm chegado ao seu blogue 77palavras. 

Hoje, foi a vez de ser lido um dos meus microcontos que pode ser ouvido aqui

5 de maio de 2013

DIA DA MÃE


Mãe, mulher maravilha
Amante sem limites
É infinitamente infinita!

Terno é o seu sorriso,
Eterno, também! Dos lábios não se esvai
Mesmo que os olhos marejem.

Cada MÃE é especial e única.
Arma que arremessa contra o perigo
Luz que apaga a escuridão
Mistério que dá vida
Anda, Mãe, vamos brindar!

25 de abril de 2013

O QUE ACABEI DE LER

Conhecia Philip Roth de nome mas nunca tinha lido nada dele. Li, agora, dois de uma assentada: A humilhação e Indignação.
Em relação ao primeiro, a palavra certa para definir o conteúdo do romance é tragédia. A tragédia da vida, a tragédia da perda: juventude, autoconfiança, amor.
Quando se perde a magia e se esgota o ânimo, vem a humilhação. Axler, um famoso ator, já não consegue representar, a sua reputação está em causa, a sua vida familiar desmorona-se, o vazio da sua vida aterra-o e a crise da idade leva-o a procurar internamento psiquiátrico. Apenas o desejo erótico e o relacionamento com uma mulher, vinte e tal anos mais nova, o revitalizam e o fazem sentir de novo que a vida tem magia. Mas os planos são o que são e nem sempre é possível concretizá-los e a humilhação regressa. E Axler acaba como sempre viveu: num palco a representar a sua própria tragédia!
Um romance forte, sem tabus nem preconceitos, onde temas como os abusos sexuais a menores, a homossexualidade, o divórcio, o amor e o sexo, a esperança e a frustração, o suicídio são postos a nu e abordados com frontalidade e crueza, até. 
Roth marca de uma forma pesada. Ler um romance de Roth implica ficar muito tempo a digeri-lo num debate com as personagens tão intensas que até parece que gostam de chicotear o leitor. Mas o leitor de Roth é masoquista (pelo menos esta leitora é) e gosta de levar pancada psicológica e de viver a vida das personagens como se fossem a sua vida, num enorme prazer da leitura que se prolonga para além da leitura do livro.

15 de abril de 2013

27 de março de 2013

PRAIA


Ouves? 
É a onda que vem a nadar 
Vem ligeira, vem cochichar. 

Ouves? 
É a espuma que vem a dançar 
Vem com leveza, vem sussurrar. 

 Ouves? 
É o búzio que vem a cantar 
Vem de roldão, vem segredar. 

Ouves? 
Tombam abraçados 
E na areia se espraiam. 
Impudica, 
Deixa que a beijem 
E a acariciem 
E lhe sussurrem. 
Interesseira, 
É ela que ouve 
 Todos os segredos 
Que o mar tem para contar.

texto e foto de Ana Paula Oliveira

25 de março de 2013

PRIMAVERA ATRASADA


Pobre passarito abandonado na árvore nua.
Pousado sobre o ramo mais alto, espera o epílogo das suas aventuras. Sabe que a primavera está, ainda, no leito do inverno, abnegada e lânguida. Dona do tempo, nada a arrelia. Nem mesmo chegar atrasada. Virá quando quiser ou o inverno a desabraçar. E o passarito, perdido e sem voz, espreita-a.
Árvore solitária, envergonhada da nudez; pássaro silencioso. Duas solidões, caladas e pacientes, esperam que se abra a porta do tempo.



desafio nº38 da Margarida Fonseca Santos:
  • escrever uma frase que tenha entre 5 e 8 palavras. 
  • dividir as letras duas a duas, independentemente de fazerem ou não parte da mesma palavra!
  • distribui-las noutras palavras, ao longo do texto.