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25 de abril de 2017

HORA DO CONTO NA BIBLIOTECA DE FUNDO DE VILA

A convite da Junta de Freguesia de S. João da Madeira, levei o meu livro Do cinzento ao azul celeste aos alunos da escola EB1 de Fundo de Vila para uma hora de conto/conversa sobre os valores de abril. Depois da leitura e da conversa, ficou aberto caminho para a escrita. E foi assim que algumas crianças de segundo e terceiro anos definiram liberdade.

  • "A liberdade é uma gaiola de portas abertas." . Gabriel
  • "A liberdade é a escola que nos dá educação." - Maria Leonor
  • "A liberdade é ter asas." - Edgar
  • "A liberdade é a forma como concretizamos os nossos desejos e seguimos o nosso caminho a voar," Gabriel
  • "A liberdade é um tempo feliz."
  • "A liberdade é como uma flor aberta no jardim,"
  • "A liberdade é a árvore que se alimenta da seiva" - Maria Leonor
  • "A liberdade é ter tempo para ser feliz." Maria Leonor
  • "A liberdade é como a flor a abrir com a paz." - Maria Leonor
  • "A liberdade vem com o mar." Lara
  • "Sem liberdade seríamos prisioneiros do tempo." Mariana

29 de março de 2017

LEVOU-ME UM LIVRO...

...a um mundo a transbordar de amigos!


Branca de Neve. Cinderela. Aurora. As primeiras amigas. Com elas percorri salões de palácios magníficos, frequentei animados bailes cheios de luz e de cor e até dancei com príncipes! Foram dias magníficos de fantasia e diversão.
Os três porquinhos. O gato das botas. O gato Pompom. Crina Branca. Os amigos de quatro patas que não tinha em casa estavam nos livros. Com eles e com elas, preenchia os meus dias de uma infância feliz, quase sem televisão nem parafernália de jogos computorizados.
Cresci. Estes meus amigos e amigas não quiseram crescer comigo. Foram fazer outros amigos, mas deles ficaram guardadas as lembranças doces, bem fundo.
Outros amigos surgiram, ainda mais aventureiros!
Quanta adrenalina com os cinco amigos Júlio, Ana, David, Zé, e o seu cão! Quanto divertimento com as gémeas no colégio das Quatro Torres e no colégio de Santa Clara! Quantas aventuras vividas em cheio com os Sete!
Veio a adolescência. Romance. Amores. Sofrimento. Finais felizes.
Brigitte, Isabel, miss Grey, Margarida, Diana, Catarina, a Menina Aguaceiro, as mulherzinhas Zé, Gui, Melita e Bel eram agora as minhas melhores amigas e povoavam os meus sonhos e ilusões. Preenchiam por completo a minha vida. A mãe podia chamar, as irmãs gritar e o mundo desabar. Nada. Só a elas ouvia, só com elas convivia, sofria ou ria.
O tempo foi passando inexoravelmente e a lista de amigos crescia, aumentava, engrossava...
Foi então que surgiu na minha vida o surrealista e inconformista João Sem Medo. Veio também o escravo Pai Tomás mostrar-me a violência da História.
E os anos passavam...
Como sofri com Maria quando o Romeiro apareceu!
Como chorei, solidária, com Teresa e Simão Botelho!
Que famílias injustas as de Romeu e Julieta!
Que crueldade, a partida que a vida pregou a Carlos da Maia e Eduarda!
E aprendi mais. Aprendi que há sofrimentos maiores do que o do amor!
Prisão. Tortura. Pobreza. Miséria...
Como gostaria de tirar da miséria o Gineto e seus amigos de rua e poder salvar os meninos desprovidos de tudo apenas donos da areia da praia.
Como gostaria de dar a liberdade aos amigos que a perderam apenas por lutarem, justamente, contra as injustiças, por quererem aquilo a que tinham direito. Jofre, Carlos, João, Mariana e outros tantos resistentes apenas queriam um mundo melhor, livre.
Por essa mesma liberdade lutou o filho de Pelageya. Como sofreu esta mãe e me fez sofrer!
Como doeu a falta de liberdade de Anne Frank! Uma adolescência privada de tudo o que a adolescência tem de bom. Uma vida perdida vítima de tiranos assassinos.
Pobre Jean Valjean, sempre fugido!
Encontrei, também, outro tipo de falta de liberdade. Esta, voluntária, sem razão de ser, sem pretexto nem desculpas. Christiane F. é toxicodependente. Filhos da droga, muitos, levaram-me a ver esse mundo de decadência e degradação física do qual não há retorno. Morte, apenas! Vi. Aprendi.
Vi também outra dependência: a do jogo. Casino, roletas, dinheiro perdido, infelicidade. Alucinação! Foi Alexis Ivanovitch que me apresentou este mundo completamente desconhecido e impensado, até então.
Os livros permitiram sempre a viagem a mais um mundo: o do crime calculado, frio, insensível. Mas eram convidados os meus amigos Poirot, Miss Marple e Sherlock Holmes para os deslindarem. E faziam crescer, de forma bem inteligente, a expectativa até à última página.
Depois de tanta emoção, os amigos divertidos e brigões apareciam para descontrair e fazer rir. Sempre prontos para mais uma sessão de pancadaria nos romanos, lá estavam Astérix e o gordo Obélix. Gordo? Perdão, gordo não, cheio de peito. E lá estavam, também, a contestatária Mafalda. A irreverente Guidinha. O traquina Nicolau.
Hoje sou adulta. A lista de amigos não pára de crescer. Cada vez mais sofisticados, mais complexos.
A papisa Joana tão corajosa e lutadora. Guilherme de Baskerville tão inteligente e perspicaz. Como se tivesse entrado numa máquina do tempo, eles levaram-me à Idade Média.
Vianne Rocher, Júbilo e Lucha, Tita e Pedro levaram-me ao império dos sentidos...
E o desfile continua. Blimunda e Baltasar. Montag, o incendiário de livros. O fiel Florentino Ariza. A fria e traidora Teresa Raquin. O desesperado e infeliz Raskolnikov. A selvagem Eva Luna. O espantoso e fascinante Petter, a Aranha, vendedor de histórias. O severo professor Crastaing. O hediondo Jean Baptiste Grenouille.
Mais recentemente, e a idade isso permite, outros seres vieram engrossar a lista: Simon Axler e senhor Ulme , apresentam a realidade nua e crua do envelhecer. Carlos Brauer faz-nos percorrer a literatura universal. Eszter faz-nos ver a manipulação existente no mundo que nos rodeia. 
E tantos outros. Sem fronteiras, vencendo a geografia sem mapas nem GPS, fui criando laços. Estes meus amigos nunca me abandonaram. Estão sempre lá. Na saúde ou na doença, nas férias ou no trabalho, na solidão ou no meio do barulho, são a melhor companhia, um refúgio, uma animação. Ou, simplesmente, evasão. E todos eles, que me mostraram tantos mundos, fizeram-me criar o meu próprio mundo, fizeram-me criar as minhas estórias, que, agora, levo aos outros partilhando o que tenho dentro de mim. 
Levou-me um livro? 
Não! Levaram-me muitos.

15 de abril de 2016

TERRA, NINHO E PATRIMÓNIO DE TODOS

Fui convidada pela Universidade Sénior de Santa Maria da Feira para captar, por palavras, um dos seus momentos culturais. O que parecia muito difícil tornou-se fácil e fluído. Bastou ouvir o violoncelo, observar a construção do ninho, sentir os fios que se enredaram e interiorizar a poesia que ali foi declamada. O ambiente criado na casa de chá Mr. Tea fez com que o texto tivesse surgido com toda a naturalidade. 




Faz frio, lá fora. Chove. A chuva curiosa espreita através das vidraças como se quisesse sentir o aroma do chá sorvido devagar. Como se as gotas quisessem escorrer o frio e juntar-se à boa companhia desta família unida pelos fios que a amizade entrançou, neste final de tarde de uma primavera que não se quis juntar (talvez demorada noutras terras!).
Nesta folha, neste lápis, procuro palavras que me aqueçam. Olho em redor. Cá dentro há calor. E há uma voz que sai do violoncelo a chamar e a perguntar: que motivos teria Deus para criar a Terra?
Terra. Palavra tão pequena que tanto encerra. Mas também enterra e desterra. Terra é ninho que esconde mistérios. É milagre. É beleza. É o local ideal para se andar espantado de existir.
Tem forma de redoma para guardar segredos.
Tem forma de nuvem, para albergar a paz.
Tem forma de ovo para acolher o silêncio.
É ninho construído, galhinho a galhinho. De verde pintado. De carinho bordado. Ninho de penas forrado. Para uns, calor, mas, para outros, dor.
Não é preciso ser pássaro para se viver num ninho. Basta ser poeta ou bailarina. Pintor ou compositor. Que é tudo o mesmo: aves cantando ao sol que aquece a Terra.
“Eu sou do tamanho do que vejo e não do tamanho da minha altura”, escreveu Alberto Caeiro. Faço minhas as suas palavras. Apesar da minha pequenez, hoje tenho um tamanho “muito enorme”. Porque as palavras entraram sem pedir licença. Bem-vindas, trouxeram calor, magia.
Fim de tarde perfumado!

13 de abril de 2016

TRAMBOLHÃO NO PASSADO - LANÇAMENTO

No próximo sábado, 16 de abril, lançamento do livro Trambolhão no passado, pela Junta de Freguesia de Arrifana. 
Trata-se de uma aventura vivida na época das invasões francesas, mais precisamente, durante a segunda invasão, comandada por Soult, que deixou Arrifana a arder e semeada de mortos. 
A história, escrita por mim e por três ex-alunos, ganhou uma menção honrosa, a nível nacional, no concurso Grande C, vai ser, agora, publicada em livro.

30 de outubro de 2015

TERCEIRO ANIVERSÁRIO DO CLUBE DE LEITURA

Frio lá fora. Chove
Mas não neste clube 
Os livros aquecem.

A sessão de outubro do Clube de Leitura, na BM de S. João da Madeira, foi muito animada, apesar do tema morte, tema do livro do mês, As intermitências da morte, de José Saramago. Sendo a data de comemoração do terceiro aniversário do Clube, o grupo fez um "piquenique de burguesas", à boa moda de Cesário Verde. E, sim, "Houve uma coisa simplesmente bela,/E que, sem ter história nem grandezas,/Em todo o caso dava uma aguarela."



Como desafio, as leitoras foram convidadas a apresentar um texto que incluísse todos, ou grande parte, dos títulos lidos e os que já estão selecionados para futuras leituras. Deu nisto: 

 Carta de amor a um livro sem ninguém
 Se numa noite de inverno, debaixo de algum céu, um viajante me pedisse para escrever uma carta de amor, seria a ti. Dir-te-ia:
Livro, és o meu amor de perdição, sem fim à vista, mesmo que sejas um livro sem ninguém dentro. És a metade maior deste meu admirável mundo novo.
Contigo nas mãos, nenhuma humilhação me afeta e a desumanização do mundo esvai-se. Deixo de ser o homem duplicado, aquele que tem a vida que deseja ter e a vida que os outros acham que eu deva ter. Contigo, não preciso de fingir e, juntos, tornamo-nos transparentes.
Apenas contigo consigo criar fortes laços de família. Tu és a minha única família e, para não ter de te partilhar, escondo-te na casa dos budas ditosos, o meu refúgio, onde rapidamente passo do cinzento ao azul celeste das emoções. 
Que importa a fúria do mar se te tenho à mão para me acalmares?
Que importa viver constantemente no fio da navalha se te tenho ao lado para me salvares?
Tu és o meu livro do ano, todos os anos! Por favor, nunca me deixes!
Sempre teu,
Leitor anónimo

Nota: autores dos livros lidos e/ou a ler, por ordem de entrada no texto:
  1. Pedro Guilherme-Moreira
  2. Italo Calvino
  3. Nuno Camarneiro
  4. José Luís Peixoto
  5. Camilo Castelo Branco
  6. Raquel Ochoa
  7. Julieta Monginho
  8. Aldous Huxley
  9. Philip Roth
  10. valter hugo mãe
  11. José Saramago
  12. Ondjaki
  13. Clarice Lispector
  14. J. Ubaldo Ribeiro
  15. Ana Oliveira
  16. Ana Margarida Carvalho
  17. Somerset Maugham
  18. Afonso Cruz
  19. Kazuo Ishiguro

23 de abril de 2015

7 de março de 2015

MARGENS QUE ME COMPRIMEM

Acabado de publicar o meu conto Margens que me comprimem em livro-objeto, pela Artelogy. O frasco pode ser adquirido no site da editora (aqui) e na sua página no Facebook (Facebook store).
O último convidado acaba de sair. O dia começa a despertar e a noite despede-se convidando-me a descansar. Recuo seis horas.
Casa cheia, música, ritmo, alegria. Taças de champanhe, erguidas bem alto, beijam-se brindando ao novo ano acabadinho de estrear, mal finda a última badalada da meia-noite.
Indiferente, olho-os. A casa é minha, a música é minha, a esplanada e a piscina iluminada são minhas. Mas a alegria é deles.
Olho-os. Indiferente. A alegria não é minha. E as horas que teimam em não passar!
(...) 

2 de fevereiro de 2015

É BOM PODER AJUDAR E SER ÚTIL ATRAVÉS DA ESCRITA

Carta recebida, hoje, da ACAIS, uma IPSS de S. João da Madeira, a agradecer o facto de ter sido selecionada por mim para receber o prémio pelo meu conto, um dos cinco vencedores do passatempo "Conto de Natal", promovido pela Nobre.

CALENDÁRIO BAI'MÁ BENDA

E pronto! Chegou o calendário oferecido por ter participado no passatempo proposto pelo Clube de Leitores e pelo Bai'má benda. E o que já me diverti a lê-lo!
O desafio foi: "E se pudesse criar um 13º mês?" A resposta que mereceu o calendário pode ser lida aqui.

16 de janeiro de 2015

E SE EU PUDESSE CRIAR UM 13º MÊS?!!

O Clube de Leitores tem o condão de me fazer escrever (por vezes saem disparates!). Lança desafios aos quais não resisto.
Desta vez: que mês criaria se fosse possível um 13º?
A resposta:
Mais um mês? Essa é que é essa! Chamar-se-ia veraneio, viria depois de agosto. Agosto, mês de férias, é uma canseira! Fazer malas, desfazer malas, fazer lanches, partir para a praia, limpar lancheiras, sacudir areia, tropeçar nos pés dos banhistas, ouvir arautos a apregoar olh’á bolinha, olh’ó gelado, esperar horas intermináveis nos aeroportos, gastar horas nos aviões, comer quilómetros sentados num carro, praguejar enquanto se busca um buraquinho onde o deixar, gastar a paciência nas filas dos museus, sofrer à espera de uma mesita nos cafés e restaurantes, andar de um lado para o outro, romper solas, cansar pés. Uf! Não há tempo para relaxar! 
Pior! Entra setembro e, cansados, mesmo antes de terem lavado a roupa suja das férias, todos regressam ao trabalho a precisar de férias! Trabalhar cansados não é produtivo, convenhamos! 
Ora aí está! Antes de setembro, depois de agosto, com todo o gosto, viria veraneio. É preciso um mês para parar. Para apreciar. Para olhar e ver. Para sentir. Para respirar. Para meditar. Para conversar. Para ler devagar. 
Neste mês, todos os dias seriam domingo. E todos teriam sol. E todas as pessoas teriam de fazer um ritual: rir, gargalhar. E celebrar a vida!

2 de novembro de 2014

UM LIVRO É UMA PORTA ABERTA...

O premiado autor Mac Barnett "fala sobre a escrita que foge da página, da arte como uma porta para o mundo da maravilha - e o que os miúdos reais dizem a uma baleia fictícia."

23 de fevereiro de 2013

COMO TU, JÁ FUI MENINA


Como tu, filha, também já fui menina. Saltei à corda e ao elástico, corri por entre ervas e pinhais, joguei às escondidas, como se a vida fosse uma brincadeira sem fim. 
Os anos passaram, céleres. Olho o espelho. Não me reconheço, não te reconheço. 
Da minha janela espreito o relógio da igreja na esperança que me devolva o tempo perdido para que esse tempo me devolva a memória. Hoje, não sei quem sou. O universo ficou vazio


Versos a negrito:
Ana Luísa Amaral, do poema intitulado “Como tu”, in Como tu (2012)
Cecília Meireles, do poema “No meio do mundo faz frio”, in Mar absoluto (1945)

Desafio nº35 da Margarida Fonseca Santos:
Escolher dois versos, de dois poetas diferentes, e usar um no início do texto e outro no fim.

13 de fevereiro de 2013

CONCURSO DE FRASES SOBRE A AMIZADE

Foi uma brincadeira que me levou a receber um livro.
Respondendo ao desafio do Clube de Leitores, enviei uma frase para definir amizade e... a frase ganhou.
"Das cinco frases que o júri seleccionou para a finalíssima, duas sobressaíram. Não só pela forma simples e bonita com que falam sobre a Amizade, mas também porque foram as preferidas de quem visita o nosso espaço com frequência. O Clube de Leitores e a QuidNovi Editora têm o prazer de anunciar que as vencedoras do livro «O Suave e o Negro» de Manuel Monteiro são: 
Ana Paula Oliveira: A amizade é conjugar os verbos partilhar, compreender e ouvir no presente e no futuro do Indicativo. 
Ana Cristina Martins: A amizade não se define, sente-se e faz-se sentir, respira-se, saboreia-se, cheira-se, ouve-se e faz-se ouvir. dá-se e recebe-se, não se diz.

Ler mais aqui

27 de julho de 2012

VERÃO E PIQUENIQUES


ilustração de Shuai Mei


Um piquenique só é perfeito com…
a música dos pássaros
o sussurrar de um riacho
o sol a espreitar por entre as árvores, a fazer-se convidado e a aquecer a preguiça
água fresca para atrasar o calor e lavar a fruta
algo ou alguém que saiba dizer palavras doces e me embale num sono reparador…

24 de outubro de 2011

LIVROS COLETIVOS

A pedido da Rede de Bibliotecas Escolares de S. João da Madeira, iniciei um conto que circulou pelas escolas do concelho e, ideia a ideia, frase a frase, desenho a desenho, o conto foi ganhando várias formas, conforme as escolas por onde passou. O resultado está exposto no Centro Comercial 8ª Avenida onde decorreu, hoje, a cerimónia de inauguração.













"TRAMBOLHÃO NO PASSADO" - MENÇÃO HONROSA


Em parceria com alunos, escrevi o conto intitulado Trambolhão no passado que foi enviado para o concurso Grande C, em maio de 2011. Publicados os resultados no final de setembro, tivemos uma agradável surpresa quando soubemos que o conto tinha ganho uma menção honrosa. O prémio foi entregue em Cascais, durante a festa do Grande C, onde os alunos puderam conviver com imensas pessoas conhecidas ligadas às artes: atores, músicos, realizadores, escritores.

O conto é uma aventura vivida na época das invasões francesas, quando as tropas francesas atacaram Arrifana durante a noite e deixaram a povoçã0 a arder.

8 de março de 2011

DIA DA MULHER

Porque hoje é o dia da mulher, a minha solidariedade para com todas as mulheres que sofrem e não podem ser felizes porque os outros não permitem.

Humilhadas
Caladas
São mulheres, violentadas

Escondem mágoas
Escondem lágrimas
Esquecem risos e afagos

Olhos negros
Negra a alma
É muita a dor
É pouco o amor

“É urgente destruir certas palavras”
Crueldade, violência, solidão
Muitos lamentos
E toda a prisão

É urgente reinventar certas palavras
Verbos reflexos do amor
Antónimos de dor:
Dar-se
Apaziguar-se
Amar-se

Canto para ti, mulher coragem
Canto para ti e quero
Entre marido e mulher
Meter a colher

10 de fevereiro de 2011

CARTA AO PRINCIPEZINHO



Arrifana, 20 de Fevereiro de 2005



Querido Principezinho:

Pelo sonho é que vamos?

Pelo sonho,
pela fé num mundo melhor,
pelo amor,
é por aí que vamos.

Partimos
ao encontro do espaço encantado
onde a linguagem ainda não é fonte de desentendimentos.
Onde há tempo para olhar uma flor,
a tua flor que cuidas, proteges
e amas.

É esse amor que nos faz falta!
Vem de novo ao nosso planeta
mostrar às pessoas como elas são ridículas,
mesquinhas,
egoístas,
materialistas.
Vem falar com elas e ensinar-lhes o que a raposa te ensinou.
Mostra-lhes o significado de cativar,
mostra-lhes o que é dar,
mostra-lhes o que é amar.

Ensina-as a olhar as estrelas.
As únicas estrelas perseguidas são as da TV.
Mas essas não brilham – a futilidade não brilha –
e não amam.

Fá-las ver o absurdo em que transformaram o mundo.
Porque exploram,
discriminam,
rejeitam,
e não amam.
Porque enganam com palavras gastas,
com gestos consumidos,
com corações que não sentem
e não amam.
Porque fazem a guerra,
matam,
matam-se
e não amam.

Querem fazer leis,
querem mandar,
não querem obedecer
nem amar!

Vem de novo,
ensinar o significado de amar.


Um beijo, até breve

uma fã